Dizem que eu sou um catarina metido a gaúcho. Não, equivoca-se quem diz isso. Eu SOU GAÚCHO, nascido em Santa Catarina. Equivoca-se também quem diz que pra ser gaúcho precisa nascer no Rio Grande do Sul, Quem nasce naqueles pagos é Sul Riograndense, muitos deles não necessariamente são, de fato, defensores dessa cultura e tradição linda e rica.
Ser gaúcho é muito mais que falar “bah”, “tchê”, “tri” e afins. Ser gaúcho é ter descendência de um ideal libertário, de um povo que ergueu sua pátria nos tentos e peleou por ela, brigou para marcar território e reinvindicar melhorias para seu povo. Ser gaúcho não é tomar chimarrão, qualquer um vai no supermercado e compra uma cuia e um quilo de erva mate. Ser gaúcho, de fato, é orgulhar-se de o movimento tradicionalista ser reconhecido pela ONU como uma das três maiores culturas do mundo. Ser gaúcho é ir além das fronteiras dos modismos e defender, por orgulho, o que foi deixado de geração em geração como legado.
Gotardo dos Santos era sul riograndense e era também gaúcho. Carpinteiro, pilchado até os dentes, com um parte de bota e estrelas cortadeiras, um sombrero requintado com direito a barbicacho, bombacha larga com feitio do melhor pano, na cintura uma carniceira, aquela companheira de degola, parecida com uma que eu postei anteontem e no pescoço trazia um lenço vermelho encanardo, da cor do sangue derramado pelos seus antepassados para defender a sua terra e garantir seu chão.
Taí o defeito dele. Seu Gotardo parou num posto pra esperar um amigo, e com trajes típicos gaúchos, foi motivo da chacota. E você sabe, leitor, o bom gaúcho enche os olhos de sangue pra defender o que é seu, nem que seja seu orgulho o maior bem — e de fato o é. Ele nem tinha sacado a possível carniceira embainhada na cintura, quando 8 rapazes, desses gurizotes otários daqui dos meus pagos, começaram a bater no vivente. Tudo isso pela pilcha. Otários, eu disse, que mal sabem de onde vieram, mal sabem da história do seu povo e, desconfio, não sabem nem quem é seu pai.
- Ele é gaúcho de honrar a tradição. Não usa outro tipo de roupa — disse a mulher, natural de Santa Rosa (RS), que vive com o marido e a filha há sete anos na Capital catarinense. (fonte)
A esses piazotes, o que dizer? Prendê-los? Adianta? Não, conscientizer, é claro! Aliás, já mostrei pra vocês a dona Consciência, né? Conscientiza que é uma beleza.
Tomara que eles peguem um delegado dos buenos. Talvez lá de Santiago ou de São Luiz Gonzaga, daqueles que fazem os mais valentes se enturmarem com a indumentária. Sairiam de lá também com trajes típicos. De prenda.
cara também sou gaucho catarina!!! nascido em chapeco , e vivo a 13 anos em caxias do sul, tenho sangue catarina mas coração gaucho!
Tem que concientizar, mesmo. Esses guris deviam passar alguns meses na cadeia, e levar uma surra cada dia.
Becher, parabéns, parabéns mesmo pelo teu post, escreveste muito bem, e não é só porque sou gaúcha, mas inclusive, porque sou GAÚCHA, idealista,colorada e batalhadora lá dos pampas de Santiago, que me emocionei, de verdade, com teu texto, e concordo contigo quando dizes que para SER não basta dizer, tem que ter alma, orgulho e, sobretudo, respeito pela cultura de seu povo. ” Sirvam nossas façanhas de modelo a toda a Terra…”
Mas ahhhhh, Santiago do Boqueirão.
De lá só sai índio do berro grosso. Aqui temos um colunista, o Prates, tu lês meia dúzia de textos dele e sabes de qual rincão que ele é
Abraço e obrigado pelas palavras!
A intolerância é a pior doença.
Sem mais palavras…