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Propagandas do TSE: 4 anos é muito tempo

Postado por Daniel Becher em ago.16, 2008, categoria Política

Existem coisas que não cabem a um órgão público. Uma delas é gastar rios de dinheiro servindo cafezinho pra aspones e demais folgas nas autarquias Brasil afora. Mas a pior delas, na minha opinião, são órgãos como Assembléias Legislativas e Senado Federal gastar com propaganda. Pra que diabos o Senado, por exemplo, quer fazer propaganda? O que vai divulgar a campanha? Venda de senadores? Só pode. Não há o que divulgar, todo mundo sabe que existe uma câmara de deputados em todas as unidades federativas, e eles estão lá, pelo menos na teoria, pra servir o público. Não há necessidade de dizer: “Olha gente, existe um Senado!”

Existem propagandas que são essenciais. O Ministério da Saúde se vale de muitas delas para informar o cidadão, geralmente em horário nobre, e não custa barato. A campanha da vacinação contra a Rubéola, tão em voga no momento, por exemplo. Faz toda a diferença.

Outra que me chamou a atenção não só pela utilidade, mas também pela criatividade, vem do TSE. Aliás, outras, porque são vários comerciais circulando em diversos horários ostensivamente. O primeiro que assisti foi a do rapaz que pára com o carro num cruzamento de uma ferrovia. Assista:

Tem também a do cometa e da lamparina…

Existem, ainda, outras versões. Não achei no YouTube, mas são tão criativas e até melhores que estas duas.

A mensagem que o TSE quer passar é importante. Por mais que eu não acredite que isso seja suficiente pra que a grande massa da população mude ou comece a pensar um pouco melhor na hora de escolher um candidato, é válido. Não é um dinheiro gasto à toa. Uma parcela, com certeza, vai ser “tocada” pelo vídeo e entender que dia das eleições DEVE ser tão sagrado quanto uma final de Copa do Mundo, um momento a ser comemorado não somente pela democracia, que seria a OPORTUNIDADE de escolhermos nossos representantes, mas pelo DEVER CÍVICO de fazer isso, para nós e para o coletivo. Discordando, sim, combatendo princípios errados e refutando idéias furadas, SEMPRE, mas fazer não pela obrigação de apertar duas ou três teclas da urna eletrônica e não levar multa, e sim pelo DEVER.

Há uma linha tênue que separa uma OBRIGAÇÃO de um DEVER, e vai além de características gramaticais e fonéticas. A maioria não está nem aí, é claro, mas eu gostei. E senti-me um pouco menos trouxa por financiar com o dinheiro dos meus impostos pagos uma propaganda criativa, inteligente e útil.

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14 comentários neste post
  1. Lucho

    Daniel, assim como você, eu tenho de admitir que, de todas as campanhas lançadas pelo TSE, a dessas eleições foi a mais criativa, inteligente e até mesmo, engraçada.

    Pena que a grande maioria da população não vai se sentir “tocada” pela camapanha.

  2. Fagner Souza

    A campanha é muito boa e criativa mesmo. Mas não sei se a criatividade não foi em excesso. Pois, com um povo sem instrução nenhuma que possuímos, serão poucos que entenderão ou tirarão algum proveito.

    Belos post Daniel.

  3. MARIANO

    O POVO, não é burro, Fagner!
    O POVO, só não tem escolha… e não ter escolha é muito pior que não ter instrução!

  4. Davily

    Realmente essas propagandas estão de muito bom gosto, criatividade e utilidade em alta.

  5. Ricardo Rayol

    com essa grana gasta em propagandas inuteis o governo mantem a mídia na rédea curta, afinal é o maior anunciante brasileiro.

  6. Carol

    Estas duas que você citou são as melhores, fico na dúvida qual gosto mais, quanto aquela da abelha…não gostei!
    Foi muito criativo realmente.
    Abraços.

  7. Fagner Souza

    Não é burro mesmo, e sim ignorante o que é ainda pior.

  8. Jagume

    Criativas??? Boas??? Meu Deus…Horríveis isso sim, chatas, excessivas, longas, cansativas, …Depois de assistir uma vez, tornam-se um perigo para o canal que estão sendo veiculadas, pois forçam o click imediato do controle remoto(como o chato das casas bahia,que não deixava ninguém ver as promoções, era ele aparecer no vídeo e mudavam de canal)…Com essas peças acontece o mêsmo! Podem apostar, é uma opinião comum…Gênios da publicidasde,quanto custaram essas maravilhas”cinematográficas”, criativas, aos cofres públicos?????Afinal de contas, eu paguei, gostaria de saber?

  9. Eliane Sinhasique

    Gente, pra mim, essa campanha é rídicula e ineficiente.
    Ninguém fica 4 anos esperando um trem passar; ninguém fica 4 anos chorando ao ouvir um celular tocar; ninguém fica 4 anos andando em círculos…
    O Washington Olivetto foi muito infeliz nessa criação.
    A campanha poderia associar coisas do dia a dia para que o eleitor comum, a grande massa, pudesse de fato ter noção de que um voto errado causa coisas que, verdadeiramente, prejudicam sua vida e a vida da comunidade.
    Já pensaram em 4 anos sem água na torneira?; 4 anos sem asfalto numa rua?; 4 anos sem remédio no posto de saúde?; 4 anos sem merenda escolar?; 4 anos sem iluminação pública?; 4 anos sem o lixo ser recolhido?
    Essa campanha não passa de peças “engraçadinhas”.

  10. Miriam

    As propagandas são gratuitas. O tempo que elas tem na televisão está previsto em lei. Não há gasto de dinheiro público com isso. A agencia de publicidade que a produziu – W/Brasil – não cobrou pelo trabalho.
    O realmente preocupante é o fato de que as propagandas sugerem que a única ação política possível para a população é o voto. E que se o candidato eleito for, poderá fazer o que bem entender durante 4 anos.
    Seu celular toca uma música que te faz chorar? Troque de celular! Reclame com a operadora!
    É direito do cidadão. ISSO é democracia.

  11. Jagume

    A grande eficiência de uma mensagem inteligente(publicitária), está na síntese de sua construção em detrimento da objetividade alcançada pela mensagem. Infelizmente, nestas peças ruins, observamos o contrário, quase uma “piada com bula”, ou seja,um certo descaso com o veículo(curto espaço de tempo,alto valor a ser gasto -televisão)observa-se um extenso discurso construtivo, que confunde e dificulta a mensagem que deveria ser objetiva(eficaz).Mas compreendendo a vaidade de quem a costruiu, faz sentido,parece existir uma preocupação maior com a “textura”,com a “fotografia”,com o “conceito cinematográfico, mais do que a “mensagem”".Senhores, cinema é pra quem faz cinema,é coisa pra Fernando meirelles,José Padilha entre outros…E crítica também é parte fundamental da democracia!Não aceitá-las é o que não faz sentido em ambiente plural e democrático, ainda mais em ambiente de concessões públicas(canais televisivos).

  12. Jagume4

    São ruins mesmo!
    Em síntese: As peças são ruins.O que se entende por “publicidade e propaganda”, não é o que estas peças ruins propõem.Tendo em vista que não atingem o Target(povão).Refletem sim, o exercício de “meninos mimados”(amigos dos poderosos), fazendo uso(gratuito) de veículos e acessos a produção, exercitando seus egos, mostrando o quanto são “bons”…Fazendo cinema…(não propaganda).Mas “polindo muito mais suas auto imagens, do que demonstrando competência ao apresentar resultados. Ou seja..Olha, a campanha é uma merda, mas sou capaz de fazer coisa melhor, vide a qualidade cinematográfica do que fiz!Usei na verdade este espaço, pra me promover, e fôda-se a mensagem!
    Péssimos publicitários, ótimos “aspirantes” a cineastas.Mas vão ter que estudar um pouquinho mais pra atingir seus objetivos…Haja leão de ouro pra alimentar essa frustrada vaidade desenfreada! E em prefeita sintonia, desmorona o nível de nossa qualidade em propaganda, graças aos mitos que mais lubrificam sua alto imagem de mito, enganando e ludibriando a opinião pública(guanaes e olivetos associados)…Que mais se vendem como produtos do que os produtos que realmente deveriam vender.

  13. Jagume4

    Graças a Deus! Fomos ouvidos! Lavinia Wlasak.Linda, objetiva, direta. Retiraram as porcarias do ar! Que bom!
    Estava mesmo estranho, uma campanha que só era aplaudida e aprovada por publicitários!Todas as outras pessoas detestaram as “geniais e criativas” peças…4 anos é muito tempo…Com peças assim..de fato,é muiiito tempo!!!!

  14. Lica

    Verdade…Também achava que esta campanha, era um fiasco, mas não tinha coragem de assumir!! Mas por esta ótica, concordo, faz sentido!

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