Justiça com as próprias mãos…
Postado por Daniel Becher em jun.08, 2009, categoria Críticas, Vida alheia
… quando nossas mãos é tudo o que temos.
Já deixei claro aqui nesse blog o meu desejo de que neste país possamos andar armados. Se não deixei, deixo agora: eu anseio por uma arma. Não uma arma fria, clandestina, falo de uma legalizada, com carteirinha e certidão de nascimento. E antes que este post vire um bate-boca por causa das criancinhas estúpidas que se matam com as armas dos pais em suas próprias casas, deixo claro que morre mais gente em assaltos seguidos de morte (latrocínios) por não ter, de fato, uma arma, que essas nobres e estúpidas raparigas.
Em Joinville, um homem pulou um muro de uma residência pra furtar uma bicicleta. Foi pego com as calças na mão, como se diz por aqui, pegaram-no com a boca na boteja, como se diz allá. Por isso, ele foi linchado. Na ambulância, a caminho do hospital, teve uma parada cardíaca e foi pro inferno churrasquear com o capeta. Aliás, mande lembranças, já que é pra onde muita gente me manda após ler meu blog.
(antes de prosseguir, uma salva de palmas pra quem fez isso!)
Segundo a PM, o homem teria pulado um muro para roubar uma bicicleta. Depois que testemunhas viram, o homem tentou fugir, mas foi rendido. Com golpes de chutes e socos, ele teria sido agredido sem piedade.
Sem piedade. Taí outra expressão da notícia do ClicRBS que me fez brilhar os olhos. Piedade merece a dona Maria, aquela senhora de idade que fica no trevo da Av. Santa Catarina aqui perto de casa vendendo balas no auge dos seus 80 e tantos anos pra garantir uma graninha extra que o INSS não lhe provê. Piedade merece um trabalhador que sai de casa às 6h deixando mulher e filhos quando ainda estão dormindo pra um dia de trabalho e só volta quando eles provavelmente não estão mais acordados.
Vagabundo precisa ser tratado como vagabundo, e nada mais que isso é O CERTO. Não existem meias verdades, não existe furo no sistema, não existe sociedade hipócrita porra nenhuma pra um safado desses. Vagabundo precisa ser tratado como tal e eu prego isso sob qualquer hipótese, sob qualquer circunstância.
Hoje mesmo ao ir na padaria comprar um café da manhã, após deixar minha mãe no trabalho – com os primeiros raios da aurora rompendo a madrugada lá nos confins do firmamento – fui abordado por um mendigo que na negativa de conseguir algum trocado comigo, tentou argumentar que eu havia gastado 5 reais na padaria e não queria compartilhar com ele.
Ora, como esse puto sabe quanto eu gastei? Estava me “manjando”, o pulha. Vai me dizer que é vítima da sociedade? É vagabundo.
E só pra ser repetitivo: vagabundo deve ser tratado como vagabundo. E se o sistema não é correto com quem trabalha pra conseguir e deixa um vagabundo ceifar qualquer centavo do fruto desse esforço, o sistema é falho sim, mas conosco, não com essa corja que anda a espreita.























junho 8th, 2009 on 6:37 am
E ai Becher… Quanto ódio para um coração tão pequeno. Que houve, não tinha salaminho na padaria e você ficou revoltado? kkkkkkkkkk
A propósito, onde eu assino? Absoluta, total e completamente de acordo.
junho 8th, 2009 on 6:38 am
Tinha, mas só em rodelas!
junho 8th, 2009 on 7:46 am
Concordo que vagabundo não merece moleza. Acho muito brando o nosso sistema prisional, onde o desgraçado tem a opção de não trabalhar, inclusive…
De qualquer modo, acho meio complicado defender tão irrestritamente essas para-justiças. A partir do momento em que não há possibilidade de defesa ou mesmo da avaliação das evidências, pessoas honestas podem ser linchadas ou mortas.
Resta saber se o custo-benefício é suficiente para justificar sua validade.
junho 8th, 2009 on 10:04 am
Eu defendo a punição dos bandidos, mas também acho que morrer por tentar furtar uma bicicleta é algo exagerado.
junho 8th, 2009 on 12:06 pm
Juro que achei estar lendo a coluna do Prates no DC.
junho 8th, 2009 on 8:28 pm
Verdade, Marcus, tens razão. Mas partir pra achar direitos humanos no vagabundo também não. Acho que uma boa coça, com dois ou três dentes a menos na boca, pro caso dele, tava de bom tamanho.
junho 8th, 2009 on 8:28 pm
Ser comparado com o Prates é uma honra…
junho 8th, 2009 on 8:29 pm
Não estou julgando qual a “pena” dele, talvez deixei transparecer isso. Mas o cerne da minha questão é tratar vagabundo como vagabundo. Acho que eu usei um exemplo errado. Mas enfim…
junho 10th, 2009 on 7:52 am
E não é que eu concordo?
No final das contas, uma família radicalmente militar me fez bem. =D
junho 12th, 2009 on 3:07 pm
Concordo com o Melo.
Abraços Becher
junho 15th, 2009 on 2:39 pm
Tá parecendo aquele cara do Bala(n)ço Geral que, de vez em quando, eu assisto só pra rir um pouco
Não que eu tenha pena de vagabundo, mas acredito que ódio só cria mais ódio, não importando se é contra quem merece ou não.
Prefiro confiar no sistema, que eu sei que é falho mas as vezes funciona.
Quanto a armas, pessoalmente acredito pra alguém querer ter uma tem que ser muito estupido ou estar com muito medo do mundo em que vive, sendo que nenhum dos motivos justifica a aquisição de uma arma de fogo.
Poderia escrever ainda muito sobre o assunto mas eu vim aqui só para dar uma lida o blog e não para escrever um artigo de contra-argumentação nos comentários.