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IOF é a bola da vez

Postado por Daniel Becher em jan.08, 2008, categoria Críticas

Estava belo e formoso repousando em berço esplêndido no meu leito juntamente com Morpheu, quando recebo uma ligação inusitada, com DDD 11 sem imaginar quem era. Atendi:

  • Boa noite, meu nome é Rosescheylla Patrícia* do Santander e o senhor é o Sr. Daniel Becher, proprietário de um cartão de crédito com vencimento todo dia 11 e próxima fatura no valor de X reais?
  • Sim, é verdade.
  • Pois então, Senhor, eu gostaria de estar lhe informando que o nosso cartão de crédito tem uma facilidade de parcelamento do pagamento desta sua fatura em até duas vezes, sobrando dinheiro para outras necessidades suas blá blá blá bandeira Visa, blá blá blá nenhum juro, blá blá blá pagamento em duas vezes blá blá blá para sua comodidade.
  • Não, moça, agradeço, mas farei o pagamento à vista.
  • Por quê, Senhor?
  • Como assim, por quê? Porque eu quero, oras. O que você tem a ver com isso?
  • Tudo bem, Senhor, o Santander agradece a ligação, tenha uma boa noite…

*Eu tenho uma dificuldade enorme de gravar nomes de atendentes de que “vêm estar tentando” encher minha paciência.

Voltando à realidade e racionando todos os gerúndios disperdiçados, em épocas de recessão, no diálogo anterior. Por quê isso? Simples, meu amigo leitor, meu povo e minha pova: Acabou CPFM e os bancos não tem mais como arrecandar tanto para os seus respectivos donos e acionistas de peso limparem seus bumbuns com notas de cinquenta. Quer dizer, até têm, mas digamos que seriam rolos de 20 metros, ao invés do tradicional 40 com folha dupla e vitamina A, C e E.

Moeda Partida

O governo tomou algumas medidas para segurar um pouco a onda e compensar a perda da CPFM, por isso o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) aumentou. Tirando as dívidas contraídas para aquisição da casa própria (nome bonito para dizer dos donos de imóveis e construtores de peso), estas operações financeiras de toda a natureza estão agora mais caras. Parcelamento de pagamento da fatura de cartão de crédito, meus queridos, juntando IOF e demais despesas administrativas, podem chegar até 20% do valor da dívida.

Fiquem de olho, estejam vigilantes e não caiam nas tentações do mundo moderno. E falta pouco, muito pouco, para eu abdicar de tudo o que é banco e voltar a guardar meu rico dinheirinho debaixo do meu colchão, como meus antepassados faziam. É uma questão de medir qual tipo de roubo é mais iminente, oferece menor prejuízo e menos constrangimento.

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1 comentário neste post
  1. Diego Ciconi

    Fala Becher!
    Meu caro, você está certo sobre o IOF, foi uma maneira de compensar a perda da CPMF (e não CPFM). Mas a CPMF nada tem a ver com o monte de juros que os bancos cobram de seus clientes. Ao contrário do que você disse, os dinheiro da CPMF e do IOF não vai para os bancos.

    O povo não para de reclamar, quem mandou acabar com a CPMF? Tava tudo ok e não doía tanto quanto o aumento do IOF.

    Além do mais, alguém já parou pra fazer uma análise crítica do efeito que essas mudanças vão causar em nossa economia? Digo porque, com a extinção da CPMF, os bancos estão incentivando seus clientes a aplicar dinheiro (seja em fundos, ações, previdência, ou o que mais der dinheiro pra eles), pois sem a contribuição, o cliente não tem mais porque deixar o dinheiro parado. Isso significa que os bancos vão ter mais dinheiro captado para emprestar. Mas espere aí, se o IOF tá mais alto, significa que vai diminuir a procura por empréstimos e financiamentos, e o que os bancos vão fazer com tanto dinheiro no bolso?
    A minha expectativa, é de uma queda nos juros cobrados pelos bancos pelos empréstimos, compensando o aumento do imposto. E assim, conseqüentemente, nossa economia cresce ainda mais.
    Ai eu me pergunto: Por que diabos o povo reclama tanto?!

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