Guarânias: a cultura paraguaia na música brasileira

Nos idos de 1925, na cidade de Assunción (Paraguay) um cidadão chamado José “Assunción” Flores criou um ritmo musical diferente. Contam as enciclopédias que este ritmo visava definir, na época, uma espécie de caráter paraguaio e o pouco que li na Wikipedia sobre o assunto me leva a crer que foi uma espécie de “engauchamento” da música dos nossos chapas além fronteira oriental — já que as músicas tradicionais gaúchas, em seus mais variados gêneros, têm essa meta: o resgate da cultura, dos costumes e da tradição heróica do seu povo.

Também conta-nos a enciclopédia digital que a Guarânia chegou ao Brasil por intermédio dos próprios paraguaios que vinham ao estado do Mato Grosso do Sul para trabalhar nas lavouras de erva-mate (taí mais uma grande coincidência gaudéria). Mais incrível ainda é que esse ritmo chegou ao nosso país pouco mais de 15 anos da sua “criação”, logo na década de 40. Com o passar do tempo, a guarania passou a fazer parte da nossa música sertaneja, das modas de viola caipira conhecidas também no interior de São Paulo.

Raul Torres foi um dos precurssores deste ritmo e gravou duas grandes canções que até hoje lembramos — o que poucos de nós sabem é a real história do ritmo e a origem, sendo confundida com a música sertaneja típica de raíz. A primeira dupla a gravar guarânias, principalmente as de Raul, foi Cascatinha e Inhana. Até hoje essas canções são conhecidas em outras vozes, como o caso de “Colcha de Retalhos”, difundida por Chitãozinho e Xororó ad nauseum. E é com ela que começamos o Top 5 de hoje:

Cascatinha e Inhana -- Colcha de Retalhos

Cascatinha e Inhana -- Índia

É com uma participação história da dupla acima citada num antigo programa do “Viola, Minha Viola”, apresentado ainda pelo Rubens ‘Moraes’ Sarmento da TV Cultura que fazemos a primeira dobradinha. Também composição do saudoso Assunción Flores e arranjo de José Fortuna, regravada, a exemplo da primeira, em vozes famosas como a do cantor da jovem guarda Roberto Carlos.

Matogrosso & Mathias e Joaquim & Manuel -- Boate Azul

Falar em guarânias e esquecer de Joaquim & Manuel é dar um tapa na cara da cultura e da música caipira, é uma tremenda heresia. Joaquim e Manuel cantavam há bastante tempo, antes mesmo de muitos que lerão este texto nascerem, guarânias que ainda hoje são lembradas e entoadas desde zonas do baixo meretrício, botequins de esquina, até casas noturnas de excelente estirpe. Boate Azul talvez é a mais conhecida, prova disso é o disco de ouro internacional que a música proporcional à dupla. Bruno e Marrone, em seu acústico em 2001, também gravaram Boate Azul, mas quem deu as honras de quem a gravou originalmente dar uma palinha foi Matogrosso & Mathias, como vejos no vídeo abaixo, retirado do seu recente DVD ao vivo:

Chitãozinho e Xororó -- Fio de Cabelo

Sim, Fio de Cabelo, gravada por Chitãozinho e Xororó também é uma guarânia. Essa dispensa apresentações, então curta a nostalgia proporcionada pela canção e só.

Tio Parada Dura -- Telefone Mudo

Uma das poucas formações musicais que não aboliu ou sequer esqueceu da gaita de fole que dá um brilho todo especial às guarânias. Telefone Mudo é outro clássico do ritmo paraguaio abrasileirado e também foi exaustivamente regravado por toda e qualquer dupla sertaneja de renome.

Tantas e tantas outras guarânias caberiam neste post, mas como não quero me alongar, o YouTube está aí pra você se aprofundar nos seus conhecimentos, caso queira.

E espero que estejam gostando das músicas um tanto quanto diferentes pra maioria de vocês que tenho postado, mas vão se acostumando, pois se vocês lêem o Hit Na Rede, em breve verão um outro ritmo latino (predominantemente argentino) que foi introduzido fortemente na nossa cultura na série Top 5 de lá. Aproveita e ouça 5 músicas baianas para te tirar do ócio, lista do Roberto Câmara Jr.

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2 Responses to “Guarânias: a cultura paraguaia na música brasileira”

  1. Beth Pinheiro disse:

    Ói eu de novo. Aho que vou ter de dar um tempo na leitura de teus posts. Estou cada vez mais convencida que meu prazo de validade expirou faz tempo. Não, não sou do tempo de Cascatinha e Inhana, mas as músicas, delas eu lembro bem. Adoro guarânias. Tenho vários LP’s em casa. 38 rpm e 45 rpm (pergunta prá alguém o que quer dizer isto, eheh). Muitos de guarânias tocadas em harpa paraguaia. São lindas.
    Gostei deste seleção.

  2. Gostei, gostei!
    É ótimo saber que não foi somente úisque (SIC!) que los paraguayos trouxeram para nossa cultura.
    Sem contar que é sempre bom conhecer as diversidades deste “minúsculo” país!
    Agradeço a visita ao Me Tire Deste Ócio!!!.
    Agora que já sabe o caminho…
    Abraços

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