Existem alguns clichês que eu até relevo. Mas outros eu sinceramente crio um certo asco e acabo criando um bloqueio e não consigo ler, assistir ou ouvir o restante do que a pessoa tinha pra falar. Há dias eu estou refletindo o tal do “muito bem casado”. É batata, se alguém está num programa de TV ou rádio e o apresentador pergunta se o cara é casado, a intensidade dessa resposta é proporcional à probabilidade de sua esposa estar ouvindo ou vendo.
- E então, Sr. Epaminondas, o Sr. é casado?
- Bah, mas sou MUITO bem casado mesmo!
O que o sujeito quer dizer com MUITO BEM casado? Existem pessoas mal casadas? Poderia ele ter respondido “olha, eu não ando muito bem casado não, já fui muito melhor casado que hoje!” Qual é o critério para o sujeito ser bem casado ou mal casado? O que define isso? É que nem terremoto, onde existe um grau de intensidade? Hichter era um casa BEM casado?
Estar casado é um estado civil. Se tu gostas do teu casamento ou não, burro foi você quem casou. Mas na sua ficha não vai estar lá:
- Sexo: Masculino
- Estado Civil: Mais ou menos casado, tendendo para um divórcio
Estava vendo dia desses um programa dessas emissoras nanicas de TV por assinatura direcionado pra pessoas que tomam banho no Piscinão de Ramos, e no final a apresentadora narrou o GC com o endereço do site. Como se não bastasse ela dizer que a programação estaria disponível para posterior visualização, ela completou:
No www.nomedoprograma.com.br você poderá nos assistir de “qualquer lugar do mundo!”
É uma informação bem útil mesmo, principalmente para nós espectadores deste tipo de programa que não temos dinheiro nem pra assinar uma TV melhor, quanto mais viajar pra qualquer outro lugar do mundo que não seja a Argentina, por exemplo. Pombas, vá se catar. Quando a Internet era ainda desconhecida e eu jogava Tazo, vá lá. As primeiras propagandas a anunciar um “.com.br.” falavam isso, era um diferencial. Não existia o YouTube e domínios .com a 15 reais anuais para tornar isso possível com meia dúzia de cliques. Mas hoje não, chegou, hora de cessar e inventar alguma coisa diferente. Fale algo como “Olha, se você realmente gostou dessa bosta, você pode rever no site X a partir do seu notebook conectado com um gato de RJ45 de algum quisque no Piscinão de Ramos.” Fica menos cafona.
Outra: desde que eu me entendo por gente eu odeio quem fala “desde que eu me entendo por gente”. Por acaso antes você se entendia por bicho, por ameba, por barata e chegou num momento, estufou o peito e gritou: “pronto, agora eu me entendo por gente!” ?
Por que não dizer “desde que eu me lembro” ou “a lembrança mais remota da minha memória”?
Alguns clichês estão realmente ficando chatos. Isso deve ser falta de leitura. E eu só não vou pegar o meu “Guia dos Mochileiros das Galáxias” agora porque escutei um barulho muito forte aqui perto. Deve ter caído um lenço e, pela intensidade, devia ser vermelho.
Comentário quase off-topic: Epaminondas é o nome do gato que mora aqui nos fundos de casa. Na verdade são quatro felinos: a Julieta, matriarca do clã, o Epaminondas, o mais velho dos machos, o Leônidas e o Ladislau, que é o mais novinho deles
Acho que o Epaminondas meu vizinho não diria que está muito bem casado com a Julieta, haja vista ela estar prenhe e ele passar dias e noites na rua procurando biscates…
“Acesse nosso site x de qualquer lugar do mundo, 7 dias por semana, 24 horas por dia…” Aiaiai, precisa dizer coisas deste tipo? Antigamente até que vai, mas hoje…
Essa do “desde que eu me entendo por gente” também é boa… =D
Vendo por esse lado, é de se pensar
Indicação da Vez, você tem nome ou está querendo uma propaganda de graça?
Opa, desculpa aí qualquer coisa… Meu nome é Celso e sou o Camiseteio do Twitter.