Florianópolis, abençoada por natureza e amaldiçoada por incompetência

Eu vejo muita gente falando na TV sobre Florianpólis. Chegou uma época em que eu parei de trocar idéias com gente de fora, ou quando perguntavam a cidade que eu morava, acabava mudando de assunto. É assim: 1.457.850 em cada 5 pessoas dizem que Florianópolis é um paraíso, que queriam morar na capital de Santa Catarina por qualquer coisa e que aqui é uma cidade segura, pacata e de povo ordeiro.

Confesso que fico meio consternado com isso. Não sabem essas pessoas que Florianópolis não é a pangéia brasileira ou, como alguns teimam em sustentar, mundial. Não é aqui um oásis, não vem daqui todo o sossego e toda a paz do mundo, não estão em nossas praias a panacéia, a cura de todos os males e nem tão pouco é aqui um paraíso profissional.

Aqui só tem lazer DECENTE e pra quem gosta, numa estação específica do ano: praia, balada, boates, balada, praia, 42 praias, surfe, praia, balada e boates. Ponto. Este monte de lazer interessante. Mas ainda assim, quem gosta de todas estas incontáveis opções de lazer citadas, uma hora vai se cansar e vai sentir saudade do cheiro de esgoto e das balas perdidas. Por mais que você procure paz, por mais que você procure sossego. Porque…

  1. Florianópolis não tem opções de lazer pra gente que não suporta putz-putz ou ficar torrando na praia feito bacon na chapa;
  2. Florianópolis é um centro de incompetência cultural;
  3. Florianópolis é o polo catarinense de incompetência profissional;
  4. Florianópolis só forma bons surfistas e gostosas peladinhas. O restante, são abortos da natureza;
  5. Florianópolis só rende financeiramente no verão;
  6. Florianópolis é cheia de gente olho grande mortos de fome que explora turista;
  7. Nenhum serviço feito por um florianopolitano é passível de aplausos nem sequer funciona.

Não é a toa que os empresários que fazem sucesso aqui ou não nasceram na capital e são do oeste, vale do itajaí, norte, sul ou mesmo são de outros estados ou países do mercosul. Não é a toa que deve estar fazendo (se não fez) vinte anos que não temos um prefeito nascido, criado e que orgulhe a bandeira de Florianópolis. Nem é a toa que estamos importando cérebros para suprir a falta de gente inteligente nessa cidade que invista em algo que não seja bunda de fora, putaria e festa rave e crie algum lazer pra gente inteligente.

E, pelo amor dos meus filhinhos, não é a toa que estou sentindo falta, inclusive, dessa gente com massa cincenta pensante e que faça número para justificar um investimento que faça a diferença cultural de um povo tão trouxa, onde o que não é dono de restaurante olho grande que vende uma porção de camarão à milaneza que custa 10 pra fazer por 70 reais, é enrolado pela ilusão de ser funcionário público e mamar na teta de prefeitura até dizer chega e achar que está prestando um excelente papel ao seu amado, querido e invejado pedacinho de terra perdido no mar.