Ferraço e Juvenal são irmãos!

A grande sacada das novelas era o mistério. Eu, particularmente, não gosto de assistir novela, mas já fui mais radical e avesso. Hoje até acompanho um capítulo ou outro num momento de puro relaxamento do lado da minha namorada. Há nelas algo que não existe no Big Brother: diversão. Ademais, não passa também de outro lixo televisivo.

Mas não sei se foi por causa do advento da Internet ou o quê, as novelas perderam um pouco desse tal mistério. Ontem, enquanto aguardava na fila do caixa do supermercado, vi naquelas gôndolas que ficam estrategicamente posicionadas para tentar uma última venda ao cliente, revistas de fofocas. Quantas revistas! E na Internet? Tem até site especializado. Não sabia que existia tanta opção pra quem gosta de saber da vida alheia. E como vida alheia é meu assunto preferido aqui, cá estamos.

Volto ao mistério. Ao extinto mistério da dramaturgia brasileira. Que graça acompanhar uma novela hoje em dia? Já sabemos, por exemplo, que Marconi Ferraço é irmão de Juvenal Antena, seja lá quem for Ferraço e seja lá quem for o tal Antena. Não raro, vejo gente que acompanha novelas diariamente sem perder um só capítulo frustradas com o último episódio das que terminaram recentemente. Por quê? Porque o final era previsível e já havia lixo no Fuxico.

Não que desconheçamos que os bandidos sempre se ferram e os mocinhos ficam com as gostosas e damos milhares de “urras!” quando ele atucha a mão na moça. Não, não é isso. Mas sempre tinha um elemento surpresa no final, algo que não esperávamos. Em casos com o de “A Próxima Vítima”, que eu lembro de ter assistido quase todos (senão todos) os capítulos, fazíamos bolões para saber quem era o serial killer e valia a diversão do suspense.

Hoje em dia o elemento surpresa já se foi. E ele pode ser comprado numa banca próxima de você, por míseros R$4,99.