Eu sou gordo, não gordinho

Eu sou gordo. Eu não sou “gordinho”, não tenho vocação pra “fofinho” e quando me chamam de “aquele fortinho” eu me sinto um pitboy numa academia de shortinho de lycra cheirando suor de outro macho e fazendo um grau com o espelho.

Eu sou gordo, caspita! O que existe por baixo da minha pele não é tudo músculo ou excesso de gostosura. O que existe entre meus ossos e minha pele é uma camada espessa de gordura, moldada há muito tempo com idas frequentes às churrascarias da cidade, pizzarias, carrocinhas de cachorro-quente, muitos cafés-da-manhã a base de coxinha de galinha e salsicha recheada… enfim, um monte de porcarias que desde então entopem as minhas artérias e me fazem um cardiopata em potencial, quiçá um enfartado.

Que merdas são essas que as pessoas acham pra chamar gordo? Quem diabos disse que ser politicamente correto é essencial pra humanidade?

Não são só os gordos as vítimas da maneira politicamente correta de referenciar a pessoa, outros estereótipos estão recebendo nomezinhos bacanas pra designar a sua característica a fim de amenizar o que, em essência, diz a mesma coisa. Aliás, essa tentativa de amenizar já prova um certo preconceito que palavra bonita nenhuma redime, não é politicamente correto que salvará o mundo dos inconvenientes e medíocres que não têm o que fazer.

Quando o Arcanjo vem no meu PVT e me chama de “meu elefante sem rabinho”, eu dou gargalhadas homéricas; quando o Fernando vira pra mim e me chama de “gordo-tolo”, em pleno CPD da empresa que trabalhamos, eu o chamo de outra merda parecida e está tudo bem; o Janio só me trata por “gordo” desde que somos sócios na Porto Fácil / Via Hospedagem e eu tô cagando pra isso.

É claro que se eu não te conheço e você vem tirar farinha de mim, de duas uma: ou eu arrumo um apelido ou forma de te humilhar publicamente que você vai se arrepender do dia de ter nascido, ou resolvemos por ali mesmo no cabo da faca.

Do contrário, meu querido leitor, fofinho, fortinho e gordinho é a mãe.

Nota do autor: Obeso é uma palavra que, ao ser proferida com toda a sua pompa, exala gordura da boca do proferidor. Toda vez que eu a ouço, penso em dois quilos de gorgonzola e mussarela derretidos sobre uma lata de óleo de soja fervente. Ela é ofensiva e hors-concours, deve ser utilizada apenas para fins técnicos.

Nota do autor 2: este texto foi inspirado no “Eu sou gorda, não gordinha” da minha sogra, autora do blog Não Nasci Ontem.

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10 Responses to “Eu sou gordo, não gordinho”

  1. Rafael Slonik disse:

    Quando o Arcanjo vem no meu PVT e me chama de “meu elefante sem rabinho”, eu dou gargalhadas homéricas;

    Que viadagem!

  2. “Uh! Esse menino tem tetinhas… vem aqui gordinho!” – Homer J. Simpson.

  3. Hamilton disse:

    Eu não entendi ainda por que precisamos ser politicamente correto em tudo? Gordos, secos, brancos, pretos, índios, argentinos… Tenho uma teoria que as pessoas perderam o respeito de uma maneira geral, portanto, pra tudo não virar uma anarquia generalizada, inventaram essa expressão de politicamente correto.

    A maldade da palavra está em como você utiliza ela e em que tipo de ênfase é dada na palavra. Só que o povinho não consegue compreender isso, daí complica.

    *A frase da “camada espessa de gordura” ali de cima tá hilária! Ah, os apelidos também. =)

  4. Iara Alencar disse:

    O pior mesmo é quando pra tentar te animar, dizem assim: “nossa voce emagreceu não é?”.
    E na verdade voce está do mesmo jeito de antes.

  5. Daniel Becher disse:

    E não é, Hamilton? Bah, você matou a charada, a maldade tá na entonação, no jeito que a palavra é usada!

  6. Ai que fofo! I Love you Gorducho safado!
    Smacks do magrelo :)

  7. Felipe Diesel disse:

    Politicamente correto avacalhou com o mundo, bom mesmo é Picapau e Tom & Jerry…

    Mas o pior foi em Star Wars. “O lado sombrio da força” é a mãe!

  8. Kleber disse:

    PQP Daniel, chupou o pau da barraca agora, heim??? Depois desta, vai ter um monte de vendedor da Herbalife batendo na sua porta. A do Elefante sem Rabinho foi de trincar os cocos… Quebra costelas bem sinchado pra tí.

  9. sou gordo e to nem aí.
    mas fico p. quando me chamam de gordinho, ou pior ainda, descoupado pedindo cigarro:

    - o gordo, me consegue um cigarro?

    é óbvio que não dei!

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