Eu quero um cartão corporativo do governo

Em plena segunda-feira de carnaval, depois de meu carro ter sido devorado pela enchente provocada pelas fortes chuvas que assolaram Florianópolis na semana passada, estou a pé. Já havia trocado a tampa do distribuidor do Gol 1000 que possuo porque ela rachou por causa da água (segundo o mecânico, algo como choque de temperatura) e deixado lá umas cem pratas. Depois disso, o carpet estava em pandarecos e a água insistia em não sair do fundo do carro por mágica. Mais 70 mangos no lava-car pra ele retirar toda a forração, fazer a limpeza necessária e me dar outros dois prejuízos que eu não tinha antes de usar os seus serviços. Mas tudo bem, o console quebrado é outra história.

Domingão de manhã vou buscar aquele famoso frango assado e cadê a ignição do carro? Você vira a chave e nenhum barulhinho, nem um “nhé-nhé-nhé” de carro velho não querendo pegar. Provavelmente meu motor de arranque ou computador de ignição foram pro pau. Quem paga o prejú?

Isso não é decepcionante por si só. O diacho é que somos humanos e como tais queremos nos pautar nos outros, principalmente se as diferenças que vemos para com nossos semelhantes são gritantes e mais das vezes nos cheira a desonestidade. Hoje vamos conhecer a história do segurança da Lurian, filha do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva que reside num bairro vizinho ao meu.

O segurança pessoal da moça, João Roberto Fernandes Júnior, também tem um cartão de crédito. Segundo dados do Portal da Transparência, Juninho (acho que posso te chamar de Juninho, né? afinal, eu também pago a fatura desse cartão) gastou de Abril à Dezembro de 2007 a módica quantia de 55 mil reais. Os gastos foram feitos em lojas auto-peças, de materiais de construção, postos de gasolina, supermercados, livraria e, finalmente, houveram gastos também com munição.

Sabe o que é pior nessa história toda? É que eu vou sair de casa agora, levar novamente meu carro numa oficina, ficar algum tempo sem ele e depois do serviço pronto vou gastar uma porcentagem gorda dos meus rendimentos nisso.

Eu ajudei a pagar a loja de auto-peças do Juninho. E aí, o Juninho vai me ajudar a pagar o meu também?

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2 Responses to “Eu quero um cartão corporativo do governo”

  1. Diego Matias disse:

    Cara, se ele fez isso é por que alguém liberou esse gasto. Todo gasto aqui onde trabalho precisa estar previsto no suprimento de fundos do mês e tem que ter a nota fiscal pra comprovar.

    Então esse tipo de absurdo só acontece em duas hipóteses: ele gastou sem poder e vai ser punido, ou ele gastou com a permissão ou vista grossa de alguém.

  2. Daniel Becher disse:

    Diego,

    é cartão de crédito, creio que não precise de autorização, de empenho de nota ou qualquer outra burocracia burra do serviço público pra liberar a compra de qualquer coisa.

    Se for igual a um cartão normal, é só passar, assinar e um abraço pro gaiteiro.

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