Num telejornal daqui de Florianópolis, mais especificamente num quadro desses onde ajudam um telespectador a resolver problemas que variam desde ruas esburacadas, energia elétrica cortada, encanamento com defeito, saneamento precário, etc, com nome fazendo menção à “Cidadania”, apareceu a dona Tânia.
Tânia é uma mulher simples, aparentemente pobre, e há mais de um ano não recebe em sua casa as contas da companhia de água, a CASAN. Ela já procurou o órgão, pessoalmente e via 0800, nada de resposta aceitável ou solução final pro seu caso. Tânia precisa ir mensalmente até a agência e fazer o pagamento por lá, sem a comodidade que os outros milhões de clientes têm. Então a equipe de reportagem foi até um escritório da estatal e filmou tudinho. Poucos dias depois as contas de água chegavam lindas e saltitantes no conforto da sua caixinha de correio.
Perfeito, não?
Péssimo. Precisou uma emissora de TV mostrar a cara do diretor da empresa pra resolverem o problema? E as outras pessoas que estão em situações parecidas que a dela? O diretor justificou que o problema era com a terceirizada, ou melhor, disse com todas as palavras: “Infelizmente temos o serviço terceirizado…”
Infelizmente como, cara-pálida? Se um sujeito desse me diz isso, eu o mando à puta que pariu.
E já que é pra ser ignorante, porque eu não sei ser diferente vendo um descaso desses, vou longe: a culpa é da dona Tânia. Se eu fosse o reporter e eu tivesse liberdade pra falar, as primeiras coisas que eu teria perguntado pra dona Tânia eram:
“Dona Tânia, em quem a Sra. votou nas últimas eleições municipais e estaduais? E em quem a senhora vai votar domingo?”
Se as respostas fossem, respectivamente: “Não sei/não lembro/não importa agora e não sei/não decidi/não conheço quem são os candidatos” eu mandaria às favas, viraria as costas e ia fazer coisa melhor da vida.
Não sei dos conhecimentos políticos da Tânia em questão, mas existem neste momento pessoas raivosas do governo, birrentas com o prefeito e que ao ouvir as palavras “candidato”, “voto” e “eleição” estalam os beiços e fazem cara de “nojinho”. Mas ai! das autoridades públicas se acontece algo errado com estes “cidadãos”, viram uns bichos, desejam a morte dos engravatados, amaldiçoam toda a parentela dos sujeitos e querem esfregar o carnê do IPTU na cara de quem quer que seja.
Gente, escuta aqui: reclamar de um problema quando é conosco, não é cidadania. Se você tem um problema e quer resolvê-lo, por mais que seja relativo a órgãos públicos, este problema é SEU. Meu conselho? Foda-se. A partir do momento em que você apresenta o pagamento de impostos como justificativa
de que merece ser tratado como cidadão, estará cumprimendo APENAS uma obrigação. Você não pode fazê-lo SOMENTE quando tem um problema que envolve apenas e tão-somente apenas VOCÊ. Isso te faz, NO MÁXIMO, um perfeito egoísta. Mas wathever…
Exercer a sua cidadania é quando você toma decisões que sejam para o bem COLETIVO, e o COLETIVO não necessariamente está com atraso/falta na entrega das suas faturas de água. O problema do coletivo, da sociedade, chame como quiser, é muito maior que esse; aliás, este problema maior é que causa os pequenos problemas individuais como a companhia de saneamento.
E a maneira mais e rápida direta que temos atualmente, pra manifestar toda a nossa insatisfação ao que está acontecendo, é VOTANDO corretamente. Você pode votar num vagabundo, num cara que vai te ferrar daqui há dois anos, não há como prever se o cara será um corrupto caso não haja precedentes contra ele. Mas votar CERTO é votar consciente, votar estabelecendo critérios que vão além de o cara ter um rostinho bonito, de ganhar uma carrada de areia ou uma dentadura pra boca vazia do seu velho pai.
É uma pena que só temos essa oportunidade a cada dois anos. E é uma pena, REALMENTE, que nem todo mundo tenha acesso à Feed-se de Setembro.
Lástima.
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Tags: candidato, cidadania, democracia, eleições, feed-se, político, prefeito, vereador

Muito bom. Como o estimado Prates diz, os políticos são o reflexo do povo, nem piores nem melhores..
Pior que quem mais fala que “não gosta de política” é justamente o povo que mais precisa do governo, seja federal, municipal…
Nós, que não recebemos bolsa de espécie alguma e pagamos as contas online temos que agüentar os falcatruas que essa gente elege.
Quem constitui um presidente brasileiro que não sabe falar o próprio idioma, tem mais é que ficar sem energia elétrica por 4 anos para aprender a votar consciente na próxima eleição!
Começou o mês com um ótimo post!
Rapaz, pior que o tal do voto é um problema sério mesmo. Em minha cidade, Maringá (PR), dois dos candidatos à prefeito estão com processos até o pescoço. O atual, inclusive, está condenado em primeira e segunda instância por improbidade administrativa, ou seja, nem poderia estar concorrendo ao pleito. Só que o irmão dele é deputado federal e tal e coisa… sabe como é.
Ele não só está em campanha como é capaz de ganhar a reeleição.
Os vereadores então, chega a ser ridículo. TODOS os vereadores da atual gestão tem algum processo nas costas com condenação ou em andamento. Não tem 1 que se salve.
Quero só ver como serão as eleições no próximo domingo. O que me desanima é que, infelizmente, acho que já sei qual será o resultado… O de sempre…
Alguns desses vereadores, inclusive, tem 20 anos de casa!
É pelo que está escrito no texto e nos comentários que eu sou a favor do fim do voto obrigatório.
Dane-se que só 5% do eleitorado vá votar. Eu prefiro mil vezes que esses 5% vá votar, querendo realmente votar, do que 90% do eleitorado vá votar, sendo que a grande maioria é de alienados que rapidamente vão se esquecer em quem votou.
Concordo…
A-há, agora achei o post! Devo ter feito “leitura dinâmica” antes, sorry… e obrigada pela divulgação.