Estava dando uma olhada no blog do Tiago Dória e em um de seus posts ele comenta sobre uma matéria da folha (só para assinantes) sobre a atriz Leandra Leal que criou um pseudônimo para blogar, uma vez que algumas celebridades fazem isso para se livrar do assédio dos fãs e da imprensa.
O permalink do Tiago Dória está com problemas, ao acessar o link, dá página não encontrada. Mas é só acessar o blog dele e ir no post do dia 12/01 pra confirmar a referência.
Entrei no blog dela pra dar uma olhada e as críticas duras que ela faz à novela “Páginas da Vida” não me chamaram a atenção como esta declaração:
Precoce, não?
hauahauaha
Será que ela já viu que vc escreveu isso?
Comenta lá no blog dela, “precoce não?”
A novela “Páginas da Vida (dos Ricos)” é simplesmente “o fim do fim”; a “moça bonita” que permaneceu em Amsterdã na maior mordomia, num cenário típico de conto de fadas, torrando o dinheiro dos pais e praticando sexo com o namorado sem proteção engravida, volta para o Brasil com uma mão na frente e outra atrás, grávida e, de vítima, (que dozinha dela, não?) é promovida a mito (coitada dessa moça se fosse feia), por personagens enxeridos, alcoviteiros, zelosos e sedentos pela vida dos outros como a intrometida Olívia (outros avós do Francisco na vida real e família já teriam posto essa moça pra correr), outra deslumbrada que vive no mundo do faz-de-conta das mulheres “descoladas” e “bem resolvidas” com seus discursos liberais completamente vazios de sentido, amiga da “oconcur” do deslumbramento, o porre da Tônia Werneck (é assim o nome desse ”vaso chinês”?), a qual só se fartando com os muitos litros de vinhos e champanhes que ela ingere a cada capítulo é possível suportar; a cada quadro que pinta a dondoca tem orgasmos múltiplos, num espetáculo de caras e bocas sem tamanho, usando modelitos totalmente transpassados e descabidos dos contextos em que ela transita (capas esvoaçantes com gorros em lanchonetes, echarpes quilométricos na sala-de-estar de sua própria casa)… é duro de engolir; ela é tão insuportavelmente patroa que até pede para a sua pajem (sei lá o nome da empregada na novela) fechar seu celular, pois ela está “com uma horrível enxaqueca”… argh! E o que pensar do comentário infeliz que uma das personagens proferiu, quando questionada se a personagem que tem o filho seqüestrado na trama teria boas condições financeiras? “imagine, ela é Procuradora da República”… sem qualquer despeito ao sofrimento ocasionado por um ato brutal como o seqüestro, e sabendo que o serviço público não deve ser exposto como uma mina de ouro que proporciona riqueza aos moribundos e mal intencionados, mas só para informação, Procurador da República é o cargo inicial da carreira do Ministério Público da União, cujo salário gira em torno dos R$ 15.000,00… e fizeram referência às condições financeiras da Procuradora da República da novela como se ela fosse uma pobre miserável… coitadinha!!! E, para endossar o quanto essa porcaria de novela é burguesa, basta observar o comportamento flagrantemente submisso da empregada Constância (é assim que se escreve o nome dessa subalterna sem vida própria?), uma escrava de marca maior que só falta se urinar inteira na anágua cada vez que se depara com seu dono, o patrono dono da verdade tudo sabe tudo conhece a última palavra é sempre dele Tide; é por intermédio das falas daquela personagem capacho que soam os ecos vindos “de lá de cima” para a massa desavisada: “fique cada um no seu lugar, é melhor assim, para quê resistir? Eles estão certos!”; o talento dessa novela para atestar o abismo social entre ricos e pobres é insofismável! Isso sem falar nos adolescentes mimados e malcriados para os pais deste folhetim… garanto que muitos brasileiros já teriam perdido metade dos dentes da boca se falassem com os pais como a “patricinha” da Gisele fala com os seus… sabemos que isso existe, mas na tela ninguém reprime a menina, ninguém critica o comportamento dela, só passam bem é a mão na cabecinha dela, ninguém ensina bons modos àquela pirralha sem educação, e os pais do Brasil que tentam incutir na vida do filho alguma autoridade para que eles não se percam no mundo devem ficar perplexos com tamanha permissividade. E, para finalizar com louvor, o casal gay… percebam: eles quase não se tocam, não se abraçam e, quando estão lado a lado na cama de seu apartamento, ficam conversando estatelados olhando para a parede, feito duas marionetes (lembrem-se, eles não podem transparecer qualquer intimidade genuína), e aí, quando vão dormir, dão boa noite um para o outro tal como coleguinhas de escola, cuja mãe de um deles permitiu que ele dormisse na casa do outro, ambos morrendo de medo que alguém os surpreenda pegando um no “pipi” do outro; é de fazer rir esse “em cima do muro” de novelas como essa, imbuída da soberba pretensão de explorar um universo que, flagrantemente, seus dirigentes desconhecem ou pesquisaram muito mal… Em síntese, “Páginas da Vida” é mais um engodo que paralisa a mente, engessa o raciocínio, mascara a realidade ao som de seus violinos insistentes e que, subliminarmente, arrasta a todos numa enorme “Wave” parca, rasteira e debilitada. Nem a coitada da bossa nova escapa de suas garras. Salve-se quem puder!