Dando valor ao que se perdeu
O ser humano é um bicho engraçado. Geralmente, ele só da valor — ou dá MAIS valor — para algo quando o perde. Isso não acontece só no velho e conhecido clichê amoroso, aquelas histórias melosas que servem de pano de fundo para músicas sertanejas. Isso vale para todas as esferas da nossa vida. Existem alguns bons exemplos:
Quando eu perdi meu avô materno, o Vô Maca, lembrei instantaneamente do dia em que ele chegou em casa (eu passava um bom tempo na casa dos avós) e me deu uma bala que estava recheada de formigas. Pensando que ele não viu, joguei-a pela janela, com nojo dos pobres e inofensivos insetos. Ele viu. O remorso bateu na hora, mesmo sabendo eu que era coisa de criança e coisa e tal.
Eu tenho costume de pedir a bênção para meus pais e minha avó, a única viva ainda. Na noite que antecedeu a última dela ao hospital, por acaso eu não havia pedido a sua bênção quando fui pra casa. Hoje ela está viva e forte, mas estar naquela porta de UTI naquele dia torcendo para que, além de sua recuperação, eu pudesse retomar minha atividade diária com um gesto mais que sistemático, carinhoso, era latente.
Quando trabalhava na Casvig, uma única vez me neguei a fazer um trabalho por ser “menor” do que eu estava acostumado a fazer. Quando tomei um pé na bunda, não por esse fato isolado, mas seja lá por qual motivo que ainda não entendi, desejei com toda a minha vontade ter formatado um computador ao invés de deixá-lo ir para uma terceirizada e eu ter ido administrar um servidor sem tanta urgência.
Coisas pequenas, coisas que vão acumulando e nem damos bola. Mas se perdemos, oigalê!
- Publicado por Daniel Becher na categoria: Política
- Se você gostou desse blog, assine o RSS e acompanhe as publicações via Feed!
Deixe um comentário