A ABND, ou Associação Becher de Normas Degustativas, vem ao longo de 26 ininterruptos anos provando bebidas e comidas Brasil afora. Em cada pedaço da nação em que piso, além de afofar a terra eu procuro experimentar gostos, temperos, sabores… Há muito, mas muito tempo, fui apresentado às gasosas, o que muitos chamam de refrigerecos, quando elas ainda eram envasadas em garrafas tipo as de cerveja. Aqueles vasilhames realmente eram melhores, mas a evolução tecnológica e capitalista exigiu as pet, que pra mim nunca passou de um termo relacionado aos estabelecimentos onde levo minha cadela pra tomar banho.
Hoje estou em Curitiba com o escritório itinerante da Via Hospedagem. Volto amanhã, visita rápida pra servir de motorista pra minha mãe. E pra não ter que pagar 3 reais com cinquenta centavos numa simples água mineral no hotel onde estamos hospedados, procuramos uma loja do Mercadorama pra uns beliscos e água abundante. Verdade que quem visse um homem gordo e com aproximadamente 1 metro e 90 centímetros de muita gostosura sair com aquela sacolade a água mineral, de pronto diria que estava prestes a passar dois meses no Saara. Mas dentro de uma dessas sacolas havia algo que comprei pra experimentar: o refrigerante Cini Gengibirra, como o nome sugere, a base de gengibre.
“É bom pra garganta”, disse que a matriarca da família. Não estava afim de saber das qualidades medicinais dos 510 mililitros de água gaseificada e saborizada, apenas queria experimentar. Saber que essa genre marota paranaense estava produzindo por acá. Qual foi minha surpresa ao levar um gole deste precioso líquido às papilas gustativas? Muito FODA!
Só disse isso: é uma bebida FODA. Enquanto Dourado gritava CARALHO ostensivamente ao ver sua família na tela do BBB 10, eu pensava comigo: FODA.
No mesmo momento reuni a equipe técnica da ABND e, sabendo do gosto peculiar da nossa Diretora de Degustação de Bebidas à Base de Água e Gás, sabia que a resposta não poderia ser outra: diferente. Fez caras e bocas. Mas como confiar no paladar de alguém que não gosta de chimarrão?
Enfim. O refrigerante é muito bom. Não é nem muito doce, nem tem gosto de aspartame (não é light, já é um ponto forte). Não parece uma versão pobre econômica às marcas principais, porque além de não existir uma marca famosa produzindo algo parecido, não é uma empresa de quintal. O site da Cini nos leva a crer que suas bebidas são seriamente produzidas. Mas por via das dúvidas não vou experimentar nunca o New Cola, não quero quebrar o encanto.
Lembra no início da degustação o gengibre, mas não chega a ser enjoativo como aquelas balinhas vendidas na farmácia pra cantores de cabaré. O gosto final é de uma soda padrão e não deixa nenhum ranso na boca depois de beber. Não dá sede (acredite, os refrigerantes, que em tese têm intenção de matar a sede e “refrescar” em sua maior parte dão sede depois).
Segundo outros grandes postulantes à ABND @lenteaberta, @christiangump, @gomespr, @poperotico e @lidifaria, Gengibirra é uma “Instituição curitibana”.
Devo levar pra Floripa nesta quarta uma caixa pra degustação com amigos e parentes.
E lembre-se: beba Gengibirra. Obedeça sua curiosidade. Inventei agora. De nada, Hugo Cini.
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Tags: cini, gengibirra, gengibre, refri

Que gordo mercenário! Foi dar uma voltinha em Curitiba e voltou com um post patrocinado!
(Ahuahuauhauhauhauhauhauhahauahuahuah!!!)
Ainda bem que gostar de costela e chimarrão não é pré-requisito pra manter o cargo de Diretora de Degustação. E se ameaçar me demitir só por causa do “gosto peculiar”, não esqueça que posso chantagear com as informações do almoço de ontem!
Tchê, a gengibirra é de fato uma “instituição curitibana” como tá no teu texto. Como único paranaense nascido numa família de gaudérios errantes – desses que pegaram motosserra e foram botando mato abaixo de Uriguaiana até Porto Velho – dou meu testemunho: é muito boa. Pena que não envasam mais nas garrafas antigas, de vidro âmbar, com tampa de metal (ou “champinha” como meus conterrâneos Curitibocas falavam há 20 anos atrás). Outras dicas daqui da terra do pinhão: risólis de camarão acompanhado de Wimi de laranja (sim, existe outra marca de refri local), na Confeitaria das Famílias, na Rua XV, ou então, se for manhã de geada, um pão de queijo com um ChocoMilk (ou Chocomilco, também no dialeto do Planalto) em qualquer boteco aberto de manhã…
Ah, e se estiveres de passagem pelo norte do Paraná ou interior de São Paulo (pelo sotaque algum viajante desavisado diria que se trata do mesmo lugar), experimete Tubaína. Tu vais descobrir de onde vieram essas águas gaseificadas com sabor limão, etc.
Mazah índio velho, gaúcho que é gaúcho sai abrindo picada nessas coxilha de riba que chamam de Brasil!
Boas dicas, quando eu retornar ao Paraná vou dar uma passada nessa do Risólis.
Abraço!
No noroeste do Paraná tem a Tubaína GoldScrin de Cianorte, não sei se tem em Curitiba também, se tiver, vale a pena experimentar! Saudades daquele sabor! Me falaram também que a Cini Laranja é o melhor refrigerante de laranja que existe, inclusive a cor é mais forte.
Olá
Dificilmente eu experimentaria a tal Gengibrina, pois só tomo água e vinho, não necessáriamente nessa ordem e jamais ao mesmo tempo.
Mas adorei a prosa, seu jeito de contar essa experiência enriquecedora que foi a degustação do tal refrigerante. Outra coisa que me encanta são essas paragens sulistas, meu sonho de consumo. Sempre achei que a segonha me perdeu aqui em São Paulo (mais especificamente, no litoral sul). Pretendo seguir seu blog e apreciar seus posts daqui pra frente e teria imenso prazer de te receber em meu blog. É um blog de “mulherzinha” e os assuntos talvez escapem do seu universo de interesses, mas faça-me uma visita de cortesia, sim?
Uma deliciosa semana pra vc.
Beijos.
Saudades de Gengibirra – http://danielbecher.com/cini-gengibirra-o-refrigerante-do-ano-pela-abnd/