Celulares com oxidação virótica

Quem daqueles que passaram alguns meses juntando uma graninha pra comprar aquele aparelho de celular de última geração, com câmera, sons polifônicos (hoje substituídos pelos mp3), mp3 player, gravador de voz e toda a sorte de utilidades e nunca perderam um telefone pela tal oxidação na placa?

Oxidação na placa foi uma maneira que, ao meu ver, as empresas autorizadas a fazer manutenção pelos fabricantes arranjaram de diminuir custos. Se o seu celular não funciona mais, não liga, não recebe, não mostra nada no display, o diagnóstico vem de bate-pronto: oxidação na placa.

Pra mim, a oxidação na placa está para o celular assim como a virose está para o diagnóstico rápido no SUS. A tal virose virou febre (trocadalho!) entre os médicos incompetentes que querem se livrar logo daquela consulta de pobre, dando um analgésico e um atestado de três dias como carta de auforria ao coitado que mais das vezes tem um problema grave mas não tem grana pra bancar uma Unimed da vida - e o pior, resolver o problema.

Tá com diarréia? virose! Febre, dor de cabeça, disfunções eréteis, enjôo? virose! Botando sangue pelas ventas, tosse, catarro? virose, virose, virose! O povo já anda se automedicando contra virose. Assim como já tem gente jogando celular pela janela no primeiro sinal de mal funcionamento, sabendo que possivelmente seu celular foi mergulhado no mar após ser sequestrado por alienígenas verdinhos enquanto dormia um sono tranquilo.

Quando saiu o tal do Samsung Colors, aqui em Florianópolis o primeiro aparelho telemóvel com visor colorido, o povo ficou eufórico. Claro, não comprei. Esperei o preço a febre baixar um pouco (poderia ser virose!) e comprei o LG Life. Pouco antes de terminar a garantia, parou de funcionar. Resultado: - “Senhor, sua placa está oxidada. O preço do conserto supera o valor do aparelho, não compensa.” Joguei o aparelho que muito me custou pagar, fora.

Recentemente minha mãe passou por uma dessas com seu Nokia 6101. Há pouco mais de um ano, pegou seus setessentos reais e foi numa loja revenda da Claro. Pagou à vista, onça em cima de onça. Antes mesmo da garantia findar, também não funcionava mais. O diagnóstico foi o mesmo: virose, digo, oxidação na placa.

Mas eu fiquei surpreso ao ver feedback de pessoas lesadas como nós que também foram acometidas de virose oxidada ou oxidação virótica; esse trocadilho já me deixa meio tonto. Isso me fez pensar um pouco e chegar as seguintes possíveis conclusões:

  • Os fabricantes de celular estão cuidando pouco da vedação dos aparelhos
  • Os fabricantes de celular estão negligenciando a qualidade das placas e componentes em busca de oferecer algo mais vagabundo barato
  • O Brasil está com alguma epidemia de algum vírus que oxida os aparelhos de celular e os aposenta por invalidez.

Porque não é possível: moramos em um país tropical, onde a umidade do ar geralmente é alta e o calor que temos em grande parte do ano faz-nos suar feito porcos, deixando nossas mãos constantemente molhadas o suficiente para que, num problema de vedação do aparelho ou má qualidade das placas, a oxidação acontecer.

Mas parece que já acharam a panacéia telemóvel: o TNow escreveu ontem sobre um celular que pode ser recarregado com o próprio calor das mãos. Imagino que possa ser o calor de uma mão adiposa e suada. De outra forma, ela não estaria “quente” o suficiente para carregar a bateria. Ou então, teremos de voltar a sustentar a famigerada indústria chinesa de capinhas para telefone.

Vai ver, o que eles querem é que usemos aquele fone bluetooh medonho que fica na orelha do sujeito, parecendo mais um aparelho auditivo de última geração.