Cavalo encilhado não passa duas vezes
Volta e meia me agarro à algum ditado e começo a refletir bastante em cima dele. Sim, esses ditos populares, desprezados por muitos como clichês, mas que em determinados momentos da nossa vida nos fazem levantar de um tropeço, nos confortam em alguma situação embaraçosa e até mesmo através deles realizamos grandes prodígios.
Ultimamente tenho pensado muito neste adágio gaúcho que escrevi como título. De fato, sabemos que oportunidades na nossa vida aparecem e desaparecem como vultos numa noite escura, passamos os olhos por ele mais das vezes sem entender de fato o que ele quer nos alertar, advertir; falar que oportunidades são portas abertas para o paraíso da vida profissional ou financeira. Entre o sim e o não, essas duas vertentes são divisoras de águas a partir do momento em que apostamos ou refugamos, sem termos a oportunidade de saber como teria sido se tivéssemos escolhido a outra opção. Ouso dizer que este é o tempero da vida, o que nos ensina a escolher, desde crianças quando optamos por jogar bola ou ler um bom livro sob pena de nos arrependermos de uma perna quebrada numa jogada dividida ou o fim trágico do mocinho da história nos gerando uma frustração.
Comecei a ler o livro do Paulo Cesar Araújo que têm gerado muita polêmica na mídia. O livro é uma biografia do cantor Roberto Carlos e foi proibido de ser vendido e foi retirado das livrarias. Roberto Carlos processou o autor em janeiro deste ano e já em fevereiro esta decisão foi tomada.
No livro, Paulo Cesar descreve uma situação na carreira do artista que uso como exemplo do assunto em voga:
É óbvio que ninguém poderia prever isto quando aquele menino chegou para cantar na pequena emissora de Cachoeiro de Itapemirim, em 1950. Se soubesse o que o futuro tinha reservado para aquela criança talvez o apresentador do programa não tivesse faltado ao trabalho justamente naquele dia. Sim, o titular do Programa Infantil, o locutor Jair Teixeira, não foi trabalhar naquele domingo perdendo a chance histórica de anunciar ao público a estréia do menino-cantor Roberto Carlos. Quem ganhou esse privilégio foi o locutor reserva Marques da Silva, improvisado na apresentação do programa.
Oportunidades nos surgem como o vento, caro leitor, que não podemos nem ver e nem ouvir, mas se estivermos atentos podemos sentí-las, tal qual a suavidade de uma brisa. Não conheci nem achei nada relevante na Internet sobre Jair Teixeira e Marques da Silva. Também pudera, eram radialistas de uma cidade pequena do interior do Espírito Santo na década de 50. Mas Jair Teixeira, seja lá qual foi o motivo de seu absenteísmo, mesmo sem saber, escolheu não abraçar uma oportunidade. Marques da Silva escolheu entrar pra história estando disponível e decidindo trabalhar naquela manhã de domingo montando no lombo do cavalo encilhado da vida que, posteriormente, o fez galopar por pagos mais bonitos e satisfatórios.
- Publicado por Daniel Becher na categoria: Geral
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2 comentários em “Cavalo encilhado não passa duas vezes”
#1
¬ Chawca
maio 12th, 2007 as 2:16 pm
E um primeiro momento, as oportunidades podem não se mostar como são, mas o tempo se encarrega de mostrar se as suas escolhas foram certas ou não…
Cabe aqui também outro dito popular,,, Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar…
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#2
¬ Leo Baiano
maio 13th, 2007 as 9:04 pm
O vídeo é instrutivo e mostra de forma clara a utilidade que os leitores de RSS trazem a nossas vidas. Gostei.
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