Category: Música
Já sei namorar, só não sei o endereço do meu blog
Posted by Daniel Becher on fev.20, 2009, under Música (1) Comment
Já sei namorar, já sei beijar de língua mas não sei divulgar um blog. Mas a minha equipe de Internet sabe.
“Oi, você que acessa esse blog, saiba que eu, mesmo usando esse óculos à lá besouro e esses brincos que mais parecem arcos de treinamento de poodle; mesmo cantando músicas que são fodalhonas demais pra sua inteligência compreender tal grau magnânimo de arte, que não fazem sentido algum pra você e é exatamente por isso que acham inteligente; mesmo eu não dando entrevista na TV, não aparecendo em qualquer veículo de comunicação e não dando a mínima para os fãs; enfim, eu tenho um blog também. Beijosmelinka!”
Nem pra dizer a porcaria da URL, heim?
Os artistas que você gosta, cagam igual a nós
Posted by Daniel Becher on jan.26, 2009, under Música (4) Comments
Vocês conhecem o Analista de Bagé? Personagem criado por Luis Fernando Veríssimo, já faz parte do folclore riograndense, mas que muy bién retrata a estampa do índio xucro nascido naqueles pagos. Quando uma das formas ortodoxas (freudianas uma barbaridade, sustenta o doutor!) não dá certo com um paciente, ele tenta apelar para alguns subterfúgios; alguns deles estão no dito popular de Seo Adão, pai do analista. Um dos adágios conhecido do velho Adão é que, rimando, “Puro-sangue ou bagual, a bosta é igual”.
Não é nenhuma pérola da escatologia, Adão quer dizer o mesmo que dizia minha finada avó: a nossa merda é igual a de qualquer famoso, não somos menores, via de regra, que eles.
Mas dou esse volteio e não digo pra que venho. Alias, agora digo: estava vendo a lista de exigências da cantora Madona, quando veio ao Brasil recentemente.

Madona pediu aos organizadores dos seus shows no Brasil, nada menos que uma suíte presidencial na cobertura do Copacabana Palace com espelhos espalhados. Pediu ipod, fax, TV de 42′ (plasma), ventilador gigante. Lavadora de louças, mesas e cadeiras para funcionar como lanchonete próximo ao seu quarto (já deu pra notar que ela quis um andar só pra ela). Em todos os ambientes que passaria, ela pediu spray de Vanilla. Pra comer, só carne de NY ou Londres, nada local. Frutos do mar, apenas animais com barbatanas e escamas (um bobó de camarão estava fora do cardápio).
Na garagem, ela quis um Audi A8 pra ela e um Q7 para os filhos (ambos blindados). Para os seguranças, a cantora solicitou nada menos que cinco audis A6.
Como se não bastasse tanta extravagância, apenas 13 pessoas poderiam ter acesso à ela. Ninguém mais fala com a beldade, que caga e peida igual a nós, reles e pobres mortais.
O que eu mais acho engraçado nessa história toda, é que o artista passa anos tentando construir uma imagem às custas do povo. É o povo que compra os discos, é essa gente das mais diferentes classes sociais e cores de pele que gera a demanda necessária para o sucesso. E quando atinge o mais alto patamar da fama, ignora o povo, esbanja na cara dos fãs e dá uma banana pra quem quiser, mesmo que distante, uma foto exclusiva.
É por essas e outras que eu não curto música desses cabeças-de-pinto. Eu gosto de artistas de verdade, aqueles que vão onde o povo está. Não só quando é oportuno pra firmar na carreira ou coisa desse tipo.
Faísca e Espoleta – Beijinho Doce
Posted by Daniel Becher on jan.09, 2009, under Música (1) Comment
Nhô Pai, ou João Alves dos Santos, foi um compositor de música popular que fez muito sucesso e compôs canções que ainda hoje são tocadas e regravadas, lá nos idos de 1940.
Esse cara é um daqueles que todo mundo conhece o trabalho mas não conhece o nome, mas acaba conhecendo mais tarde depois do sucesso batido num Raul Gil da vida fazendo tributo ao compositor.
Nhô é pai (perdoem o trocadilho mas eu não resisti) de uma das canções mais procuradas atualmente: Beijinho Doce.

Faísca e Espoleta
Faísca e Espoleta (ou Flora e Donatela) personagens vividas por Cláudia Raia e Patrícia Pillar na novela A Favorita, também cantaram uma versão desta música composta por volta da década de 50.
Veja estas duas versões de Beijinho Doce:
Eliana e Adelaide Chiozzo
Irmãs Galvão
O mais engraçado é que nas duas gravações que vemos acima, há sempre o duo com violão e gaita, executada por uma dupla feminina.
Há registros de que Tonico e Tinoco, a dupla coração do Brasil, também gravou a canção. A letra não mudou, mas o arranjo é alterado a cada gravação, adaptado a cada voz e a cada situação, enquanto a vida segue e o beijo continua doce…
Ouvir Toni Braxton já foi melhor…
Posted by Daniel Becher on dez.16, 2008, under Música (8) Comments
Eu lembro quando a MTV começou ostensivamente a passar o clipe novo da Toni Braxton, Unbreak My Heart. Recordo-me que, na época, no início de uma puberdade feliz, explosão de hormônios, mãos puro-pêlo, aquela coisa toda de adolescente, era um tanto quanto excitante ver os lábios cheios pelo batom cor-de-pecado de Toni.
Nem mesmo aquele homem negro forte e curtido em academia ofuscava as curvas estonteantes da cantora. Na ânsia de que a TV musical mais popular da época não parasse de exibir o tal clipe, eu ligava ostensivamente para votar no TOP 10 do dia. Provavelmente, outros garotos animados e lépidos como eu, ao ver tantas curvas, aquela cor, voz e cabelos, faziam o mesmo, pois ela ficou um bom tempo no hit parade.
Mas aí aparece um carioca metido a cantor de churrascaria e acaba com tudo. Acaba com os desejos que outrora tive com a cantora de R&B, acaba com a memória sadia, inocente e sacana ao mesmo tempo que povoava a minha cabeça aos 13 anos de idade e acaba com qualquer resquício de um passado não tão distante, mas que me trazia como legado uma experiência bacana como telespectador da MTV e adolescente.
Voz desafinada, figurino comprado na 25 de Março e dedilhando um violão como quem esbofeteia um cachorro sarnento.
Obrigado, Nick Ellis. Muito obrigado por isso. Tomara que acabar com tudo isso tenha valido a pena pelo menos pra ganhar o Desafio LG.
Guarânias: a cultura paraguaia na música brasileira
Posted by Daniel Becher on nov.22, 2008, under Música (2) Comments
Nos idos de 1925, na cidade de Assunción (Paraguay) um cidadão chamado José “Assunción” Flores criou um ritmo musical diferente. Contam as enciclopédias que este ritmo visava definir, na época, uma espécie de caráter paraguaio e o pouco que li na Wikipedia sobre o assunto me leva a crer que foi uma espécie de “engauchamento” da música dos nossos chapas além fronteira oriental — já que as músicas tradicionais gaúchas, em seus mais variados gêneros, têm essa meta: o resgate da cultura, dos costumes e da tradição heróica do seu povo.
Também conta-nos a enciclopédia digital que a Guarânia chegou ao Brasil por intermédio dos próprios paraguaios que vinham ao estado do Mato Grosso do Sul para trabalhar nas lavouras de erva-mate (taí mais uma grande coincidência gaudéria). Mais incrível ainda é que esse ritmo chegou ao nosso país pouco mais de 15 anos da sua “criação”, logo na década de 40. Com o passar do tempo, a guarania passou a fazer parte da nossa música sertaneja, das modas de viola caipira conhecidas também no interior de São Paulo.
Raul Torres foi um dos precurssores deste ritmo e gravou duas grandes canções que até hoje lembramos — o que poucos de nós sabem é a real história do ritmo e a origem, sendo confundida com a música sertaneja típica de raíz. A primeira dupla a gravar guarânias, principalmente as de Raul, foi Cascatinha e Inhana. Até hoje essas canções são conhecidas em outras vozes, como o caso de “Colcha de Retalhos”, difundida por Chitãozinho e Xororó ad nauseum. E é com ela que começamos o Top 5 de hoje:
Cascatinha e Inhana -- Colcha de Retalhos
Cascatinha e Inhana -- Índia
É com uma participação história da dupla acima citada num antigo programa do “Viola, Minha Viola”, apresentado ainda pelo Rubens ‘Moraes’ Sarmento da TV Cultura que fazemos a primeira dobradinha. Também composição do saudoso Assunción Flores e arranjo de José Fortuna, regravada, a exemplo da primeira, em vozes famosas como a do cantor da jovem guarda Roberto Carlos.
Matogrosso & Mathias e Joaquim & Manuel -- Boate Azul
Falar em guarânias e esquecer de Joaquim & Manuel é dar um tapa na cara da cultura e da música caipira, é uma tremenda heresia. Joaquim e Manuel cantavam há bastante tempo, antes mesmo de muitos que lerão este texto nascerem, guarânias que ainda hoje são lembradas e entoadas desde zonas do baixo meretrício, botequins de esquina, até casas noturnas de excelente estirpe. Boate Azul talvez é a mais conhecida, prova disso é o disco de ouro internacional que a música proporcional à dupla. Bruno e Marrone, em seu acústico em 2001, também gravaram Boate Azul, mas quem deu as honras de quem a gravou originalmente dar uma palinha foi Matogrosso & Mathias, como vejos no vídeo abaixo, retirado do seu recente DVD ao vivo:
Chitãozinho e Xororó -- Fio de Cabelo
Sim, Fio de Cabelo, gravada por Chitãozinho e Xororó também é uma guarânia. Essa dispensa apresentações, então curta a nostalgia proporcionada pela canção e só.
Tio Parada Dura -- Telefone Mudo
Uma das poucas formações musicais que não aboliu ou sequer esqueceu da gaita de fole que dá um brilho todo especial às guarânias. Telefone Mudo é outro clássico do ritmo paraguaio abrasileirado e também foi exaustivamente regravado por toda e qualquer dupla sertaneja de renome.
Tantas e tantas outras guarânias caberiam neste post, mas como não quero me alongar, o YouTube está aí pra você se aprofundar nos seus conhecimentos, caso queira.
E espero que estejam gostando das músicas um tanto quanto diferentes pra maioria de vocês que tenho postado, mas vão se acostumando, pois se vocês lêem o Hit Na Rede, em breve verão um outro ritmo latino (predominantemente argentino) que foi introduzido fortemente na nossa cultura na série Top 5 de lá. Aproveita e ouça 5 músicas baianas para te tirar do ócio, lista do Roberto Câmara Jr.






















