Eu vejo Sessão da Tarde e pago por isso

Tem gente que gosta, eu respeito, mas eu não suporto. Não tô falando necessariamente da Sessão da Tarde, estou falando de ser otário. Sim, porque um sujeito gostar da Sessão da Tarde vá lá, o cara é maluco, masoquista, sádico, mártir, seja lá o que. Faz de graça. Mas pagar por isso é coisa de gordo imbecilóide que nem eu. Explico: um dos canais que compoem a grade de filmes da minha TV por assinatura de pobre é a TNT, que já teve seus tempos de glória e vive no melhor estilo Simony de decadência no ramo de atuação.

Por estes dias, por exemplo, eles resolveram fazer um retrô de Adam Sandler de quando ele ainda batia punheta. Só pode. Comi com farinha A Herança de Mr Deeds (Mr Deeds), Gigolô por acidente (European Gigolo) e Billy Madison, enquanto canais como HBO já exibem gratuitamente, em inglês legendado e sem cortes Click.

No meu plano de TV Poor Platinum, eu tenho:

Filmes mal e porcamente dublados. Tá, eu sei que a expressão idiomática é PARCAMENTE, mas ele nunca se encaixou tão bem numa citação minha quanto agora. Eu sinceramente não tenho preconceito contra filmes dublados, não mesmo, pelo contrário, não sou daqueles que se importa e ai da emissora não exibir o filme no idioma original com áudio original e tudo mais. Eu até assisto na boa, mas eu não consigo conceber que “fuck your mother fucker, kiss my ass and suck my dick” seja traduzido como “vá se danar/ferrar” e “shit” seja apenas “droga”.

Intervalos. Não existe nada pior do que intervalos. Geralmente quando eu estou muito apertado pra ir no banheiro ou engasgado com alguma casquinha do milho da pipoca bloco dura mais que vinte minutos. Do contrário, eu não preciso que um filme pare 5 ou 6 vezes, eu não tenho incontinência urinária, cacete. Além disso, meu esfíncter continua funcionando. Se tivesse problema com isso, usava um fraldão ou sei lá o que.

Filmes antigos e batidos. Como se não bastasse ver um filme mal dublado e cheio de coitos interrompidos intervalos, eu tenho que me contentar com filmes muito bons, se estivéssemos em 1998. No momento em que escrevo este post está passando Matrix, de 1999. Daqui há uma hora exata eu poderei assistir um filme mais novo, por exemplo, como Spider Man (2002). Mas se eu quiser pedir uma pizza logo mais a noite e assistir um filminho debaixo do edredon, eu poderia ver Assassinos Substitutos (The Repleacement Killers) de 1998. Isso quer dizer que se eu tivesse tido um filho na data em que ele entrou em cartaz, hoje ele teria 10 anos e certamente seria um prazer inigualável ouvir ele me jogar na cara que eu sou um pobre de bosta que paga pra assistir Sessão da Tarde. Cruel.

Como fazer Sushi em casa

Sempre achei que Sushi era uma baba. Tem todo um mistério acerca dos sushi man que vemos por aí, mas eu creio de verdade que a maior dificuldade que eles têm é achar tanta criatividade para conseguir um hobby cafona ou um kimono da época do Karatê na faculdade, e uma faixa do rambo branca com uma bola vermelha na altura da testa. A indumentária japonesa é, sem dúvida nenhuma, ao menos pra mim, a maior problemática para se confeccionar o sushi.

Primeiro porque quando se faz um sushi[bb] com peixe, o dito cujo é cru. Se for criar um site de cultura japonesa e fazer uma sessão de receitas, na hora de explicar como preparar o peixe eu imagino que seria algo do tipo:

Bom, agora você pega um pedaço de peixe e… pronto!

Segundo porque os outros ingredientes do sushi também não demandam muita experiência. É o papel celofani mais caro do mercado — uma alga lisa de um lado e áspera de outro que pode ser usada perfeitamente na falta do Colomy porém nunca o inverso; grãos de arroz menores que os convencionais — um liquidificador faz com que o seu pacote de <A sua marca de arroz poderia estar aqui> vire arroz japonês em dois toques; e um vinagre especial feito do tal arroz que cheira igual vinagre de dois pilas, tem gosto de vinagre de dois pilas e coloração igual ao vinagre de dois pilas, mas que por ter ideogramas no rótulo cobram 8. Já que falei em custos, outros dois ítens também são dispensáveis. A faca, pois uma específica para a preparação da iguaria custa aproximadamente 40 reais (a mais em conta). E a esteirinha usada para enrolar a alga no recheio que deve custar 20 mangos a original, mas totalmente compatível com outra a esteirinha, aquelas usadas para jogos americanos, que sai pela pequena bagatela de R$2,99 no bazar de qualquer supermercado. Ontem mesmo resolvi fazer sushi de Kani Kama[bb] — uma espécie de massa de peixe branco compactada e vendida em forma de rolinhos. Como o queijo cremoso estava caro, fiz com aqueles projetos de queijo mais parecidos com requeijão saborizado. Deu no mesmo, claro, menos para o bolso que economizou mais 6 reais só no tal creme.

Becher fazendo Sushi
Este que vos fala fazendo sushi em casa

É claro que eu usei o arroz especial pra isso. Afinal, vocês acham o que? que o liquidificador estava quebrado e não pude triturar um Tio João eu sou um amador? Também usei as algas específicas, até porque o colomy estava em falta no mercado o sabor é inconfundível. Mas pequei na faca. Usei uma faca de cozinha normal, dessas de pão, imitação da Tramontina comprada no 1,99. Não achei justo comprar uma faca samurai daquelas pra comer comida crua. Se aproveitasse no churrasco, ainda…

Concluindo, por módicos TRINTA reais, fazemos um Sushi em casa DESTA forma:

Ingredientes:

  • 1 xícara de arroz para sushi (grão curto)
  • 2 xícara de água
  • 2 colheres de sopa de vinagre de arroz
  • 1 colher de sopa de açúcar
  • 1 colher de chá de sal
  • 1 pacote de Kani Kama
  • Queijo cremoso sabor Queijo Gruyère

Modo de fazer o arroz:

Lave bem o arroz, até que a água fique totalmente transparente. Acrescente as duas xícaras de água ao arroz e deixe descansar por 25 minutos. Cozinhe o arroz em fogo baixo por 25 minutos, cuidando para não queimar. Despeje o arroz em uma tigela grande. Misture o vinagre de arroz, o açúcar e o sal e despeje sobre o arroz, misturando delicadamente. Esfrie o arroz, preferencialmente abanando, para que o processo sejá rápido.

Como fazer o Sushi

Modo de fazer o Sushi de Kani Kama com Queijo Gruyère, à lá Becher:

Pegue a esteirinha do jogo americano e estenda-a na mesa. Coloque uma folha de alga por cima dela e despeje uma quantidade suficiente de arroz, cobrindo pouco mais que a metade da alga e cuidando para que, na extremidade em que começar a preencher com o cereal cozido, deixar um espaço de 2cm aproximadamente. Espalhe para não ficar muito “alta” a camada nem desproporcional.

Coloque o Kani e o queijo gruyère da forma que está disposta na foto acima. Agora levante a esteirinha e vá enrolando sendo que, na primeira “enrolada”, você deve fazer pressão para que o arroz se acomode na alga de forma homogênea. Quando terminar de enrolar, umideça a extremidade da alga para dar a liga e “colar” uma ponta na outra. Corte o rolinho em duas partes iguais e, depois, em três pequenas rodelas cada uma das partes.

Coma com molho shoyu pra dar um gostinho!

Frases de efeito, clichês e chatices

Existem alguns clichês que eu até relevo. Mas outros eu sinceramente crio um certo asco e acabo criando um bloqueio e não consigo ler, assistir ou ouvir o restante do que a pessoa tinha pra falar. Há dias eu estou refletindo o tal do “muito bem casado”. É batata, se alguém está num programa de TV ou rádio e o apresentador pergunta se o cara é casado, a intensidade dessa resposta é proporcional à probabilidade de sua esposa estar ouvindo ou vendo.

  • E então, Sr. Epaminondas, o Sr. é casado?
  • Bah, mas sou MUITO bem casado mesmo!

O que o sujeito quer dizer com MUITO BEM casado? Existem pessoas mal casadas? Poderia ele ter respondido “olha, eu não ando muito bem casado não, já fui muito melhor casado que hoje!” Qual é o critério para o sujeito ser bem casado ou mal casado? O que define isso? É que nem terremoto, onde existe um grau de intensidade? Hichter era um casa BEM casado?

Estar casado é um estado civil. Se tu gostas do teu casamento ou não, burro foi você quem casou. Mas na sua ficha não vai estar lá:

  • Sexo: Masculino
  • Estado Civil: Mais ou menos casado, tendendo para um divórcio

Estava vendo dia desses um programa dessas emissoras nanicas de TV por assinatura direcionado pra pessoas que tomam banho no Piscinão de Ramos, e no final a apresentadora narrou o GC com o endereço do site. Como se não bastasse ela dizer que a programação estaria disponível para posterior visualização, ela completou:

No www.nomedoprograma.com.br você poderá nos assistir de “qualquer lugar do mundo!”

É uma informação bem útil mesmo, principalmente para nós espectadores deste tipo de programa que não temos dinheiro nem pra assinar uma TV melhor, quanto mais viajar pra qualquer outro lugar do mundo que não seja a Argentina, por exemplo. Pombas, vá se catar. Quando a Internet era ainda desconhecida e eu jogava Tazo, vá lá. As primeiras propagandas a anunciar um “.com.br.” falavam isso, era um diferencial. Não existia o YouTube e domínios .com a 15 reais anuais para tornar isso possível com meia dúzia de cliques. Mas hoje não, chegou, hora de cessar e inventar alguma coisa diferente. Fale algo como “Olha, se você realmente gostou dessa bosta, você pode rever no site X a partir do seu notebook conectado com um gato de RJ45 de algum quisque no Piscinão de Ramos.” Fica menos cafona.

Outra: desde que eu me entendo por gente eu odeio quem fala “desde que eu me entendo por gente”. Por acaso antes você se entendia por bicho, por ameba, por barata e chegou num momento, estufou o peito e gritou: “pronto, agora eu me entendo por gente!” ?

Por que não dizer “desde que eu me lembro” ou “a lembrança mais remota da minha memória”?

Alguns clichês estão realmente ficando chatos. Isso deve ser falta de leitura. E eu só não vou pegar o meu “Guia dos Mochileiros das Galáxias” agora porque escutei um barulho muito forte aqui perto. Deve ter caído um lenço e, pela intensidade, devia ser vermelho.

Deu. Chega.

Ainda não deixaram aquele maluco que resolveu se suicidar com balões morrer em paz? Ainda estão buscando o infeliz esperando que ele esteja numa ilha perdida no meio do nada, no melhor estilo Johnny Castaway, fazendo festa, barbudo e colhendo côcos intermináveis de um coqueiro eternamente frutífero?

O cara resolve pegar um monte de balão de alguma festinha de aniversário, tenta voar com eles abaixo de mal tempo, não sabe usar um GPS e sequer tem um telefone por satélite suficientemente carregado e com autonomia pra pedir ajuda, e mandam aviões, helicópteros, barcos, lanchas e sei lá mais o que atrás dele?

Amanhã meu carro pode não pegar porque é um tanto quanto velho, os Senhores sequer me darão uma carona pro trabalho? E olhe que eu não estou querendo fazer sensacionalismo barato, quero apenas ir trabalhar. Vão?

Ah, faça-me o favor. Meu bisavô, pescador, com 30 anos de profissão e 7 filhos em casa passando fome, certa feita saiu pra pescar, teve um mal súbito, caiu na água e morreu afogado. Sequer teve um filho da puta que fosse atrás dele. Acharam o corpo dele cinco dias depois num lugar distante e fim.

E o pior não é isso. Li em algum lugar que a família e o círculo de amigos/conhecidos estavam se reunindo pra rezar pelo aparecimento dele. Que tipo de padre ele é que não moral com o barbas-brancas lá em cima? Encheu o saco, deixa o cara virar comida de Marlin Azul em paz e poupem-se de idiotas que querem aparecer. E insensível é puta que te pariu.

Penélope Cruz pagando peitinho

Na época que eu comecei a minha precoce luta contra o câncer de próstata, ajudando no desenvolvimento ciência e a matar futuros presidentes da repúblia, nós não tínhamos isso como agente motivado. Hoje, de graça, você tem uma grana enorme de material disponível para colaborar com sua próstata, mas naquela época só tínhamos os tufos amazõnicos da Cláudia Ohana.

Penélope Cruz mostrando os seios

Hoje é diferente. Quem dirá então meu(s) filho(s) em sua adolescência, se hoje já temos Ben Kingsley, um figurão de 64 anos de idade, contracenando com Penélope Cruz pagando peitola e bundinha para quem quiser ver. Até o nome da personagem de Penélope é sugestivo: Consola, uma cubana. Adoraria ter sido adolescente na época de Elegy.