Category: Futebol
Charges do Futebol Catarinense
Posted by Daniel Becher on fev.16, 2009, under Futebol No Comments
Nos primórdios da minha antiga paixão pelo futebol — e pelo Figueirense — eu lia muito noticiário de esportes do DC. E quase que todas as segundas-feiras úteis do esporte, a charge do Zé Dassilva no Diário Catarinense era inevitável tratar da dupla de times de Florianópolis. Quando a vitória era do meu time, era a oportunidade de ouro: recortar e levar pros colegas de aula pra dar aquela gozada básica. Quando o revés, o humor sarcástico e impiedoso do Zé chegava a consolar, numa espécie de sadismo.
Zé Dassilva, que eu nunca desconfiei pra quem torcia — e se é que torcia — era o pesadelo e o sonho dos guris da minha época que tinham munição suficiente pras gargalhadas e choros de segunda-feira pós rodada do estadual.

Boa, Arthur!
Arthur Guedes Caminha trilha o mesmo caminho, me fez dar umas boas gargalhadas hoje com umas sacadas interessantes sobre o que vem acontecendo nos gramados catarinenses, em seu blog Charges do Futebol de SC. Assim como Dassilva, nas suas charges ele deixa de lado a paixão clubística e tenta entreter o espectador com ironias e brincadeiras mais das vezes contra o próprio sentimento. Avaiano doente que eu sei que ele é, já que é primo da minha namorada, deixa de lado o amargo de uma derrota e goza a própria paixão, nesse mesmo sadismo que outrora acalentou meu ex-amor pelo futebol guiado pelo Dassilva.
Boa, Arthur, parabéns pelo blog!
PS: enquanto escrevia o post, chega a notícia que ele foi citado na coluna de hoje do Roberto Alves, talvez a maior sumidade na história e na crônica do futebol barriga-verde.
Futebol é rivalidade. Politicamente correto não combina com isso.
Posted by Daniel Becher on dez.12, 2008, under Futebol (5) Comments
É claro que eu não incentivo que uma cambada de marginais fiquem esperando torcedores adversários na primeira esquina pra degladiarem feito trogloditas no cio; é lógico que eu não apoio qualquer ação depredatória de torcidas visitantes contra o patrimônio do time rival; tampouco incentivo violência de qualquer natureza dentro dos estádios de futebol.
Mas é notório que depois da profissionalização do futebol, da transformação dos clubes bairristas em clubes-empresa, o que mais acaba com a graça do esporte bretão é a onda de politicamente correto que acaba com a rivalidade sadia entre torcedores oponentes. O legal de o Avaí ter subido pra Série A este ano, não é nem o fato de enfrentar times grandes e oferecer ao torcedor um futebol de qualidade, o mais atrativo disso tudo é chegar na segunda-feira e não só gozar da subida do seu time, mas da decadência do arqui-inimigo. Gozar do rival é a graça MASTER do futebol.
É que nem a história do publicitário: não adianta estar com duas loiras boazudas numa ilha deserta, ninguém irá ver mesmo.
Mas ainda existem boas sacadas, e uma delas aconteceu neste domingo, quando o Grêmio recebeu uma visita inesperada; um avião desses teco-teco sobrevoava o Estádio Olímpico, em Porto Alegre, com uma faixa e um recadinho da torcida do rival, Internacional. Assista:
Não adianta o Colorado ganhar do Estudiantes, ser campeão não só da Sulamericana como ter galgado todos os degraus atingíveis, se não puder tirar uma com a cara dos gremistas. Essa é a graça do futebol.
Vi o vídeo no Nadave.
Torcedor vira-casaca? Não, eu sou um cliente insatisfeito
Posted by Daniel Becher on nov.06, 2008, under Futebol (5) Comments
Ai de mim se, quando criança ou pré-adolescente, chegasse pra meu amigo Paulinho e dissesse que troquei de time. Ai deste gordinho, o assunto logo logo estaria na boca da gurizada do bairro e eu seria o maior traidor das redondezas, criticado até pelos torcedores do time rival, ainda que eu tornasse torcedor solidário a eles.
Até pouco tempo atrás dizer que você mudou de time era trair algum movimento, era feio, uma atitude tão desgraçada quanto bater na mãe e chamar a professora de vadia (tudo bem, isso hoje é normal, fiquem com o exemplo da mãe. Ôpa, eu não falei com você, Suzane von Richthofen!). Era possível você receber a excomunhão da Igreja se parasse de torcer pro Flamengo e vestisse a Cruz de Malta.
O fato é que a grande e esmagadora maioria dos clubes virou clube-empresa, ou seja, gere seus negócios tal qual uma organização e espera receber lucros por isso. E eu acho isso louvável, afinal ninguém trabalha e nem deve fazê-lo de graça. É necessário botar comida na boca dos jogadores de base, tratá-los como frangos jovens que, a qualquer momento, precisam estar gordinhos para o abate de algum outro empresário explorador grande clube assim como todo o restante da estrutura.
Mas com as coisas boas, também vêm as ruins neste processo de transformação. Um clube-empresa passa a ter clientes e não somente torcedores e estes podem vir a cobrar de forma mais apaixonada ainda os resultados daquela instituição; o negócio se torna punk principalmente quando ele é sócio pagante, afinal INVESTE dinheiro por lá.
Desde que o profissionalismo tomou conta do Figueirense, o time que eu acompanhei desde onde minha memória — que não é ruim — pode recordar — talvez uns 5, 6 anos de idade, eu não tenho mais uma camiseta do clube. Eles precisaram contratar uma outra grande organização pra que cuidassem do material esportivo do time e, como sabem, não existe obesidade no Brasil. Torcedores grandões como eu se viram nos trinta com uma GG melhorada, intitulada Extra G. Os que não conseguem, fodam-se, “nossa organização não tem como criar modelos específicos em baixa escala”.

Estádio Orlando Scarpelli, a sede da empresa que me tinha como cliente
Desde que viramos clube empresa (sim, eu era sócio, também poderia chamar de “meu”), não conseguimos ficar mais de dois anos com um grande jogador, seja ele revelado pelo clube ou contratado já criado — raras foram exceções, muito raras. Até o Edmuno que aqui esteve e fez uma excelente campanha, usou o clube como trampolim pra reaperecer no Fantástico marcando o gol da rodada. O mesmo aconteceu com César Prates que jurou amores eternos ao clube, mas foda-se a camisa, foda-se o que ele disse, ele era um “colaborador que recebeu uma proposta melhor”.
Desde que viramos um Clube S/A, nós não ganhamos absolutamente nada além de uma vaga na elite do futebol brasileiro sempre se segurando pra não cair pra segundona. Campeonatos regionais não valem, bater em aleijado deveria ser crime.
Isto posto, eu não quero ser interpelado na rua por torcedores do time que eu também torcia sendo acusado por traidor, por ter virado a casaca ou coisa parecida.
Eu quero que vocês entendam, nobres ex-colegas, que eu sou um cliente insatisfeito. Eu não quero mais ser cliente da Figueirense Participações porque o produto Figueirense, como time de futebol, não satisfaz mais as minhas necessidades como torcedor.
Pra ser bem sincero, eu nem quero mais ser cliente de futebol, mas quero uma empresa que a partir de agora me satisfaça somente em alguns momentos raros em que eu quiser consumir o produto, e ele DEVERÁ ser bom. E um excelente método de me ganhar para a sua carteira seria vencer este campeonato Brasileiro. Quem sabe, numa dessas, eu não vire cliente do Grêmio por uma temporada até enjoar e decidir experimentar outro fornecedor?
Vida longa aos meus inimigos…
Posted by Daniel Becher on jul.03, 2008, under Futebol (2) Comments
… para que eles se fodam por tempo o suficiente e paguem o preço de serem diferentes.
Desde a quinta-feira passada, eu tenho visto manchetes nos principais jornais esportivos sobre o “Brasil ser fluminense na final”. Eu deveria ter escrito isso ontem, teria mais sentido, e de certa forma se justificariam hoje as minhas palavras.
Mas esse oba-oba de dizer que torcedores de outros times, principalmente os cariocas, iriam torcer para o Fluminense conquistar a Copa Libertadores da América nos dias que antecederam a partida única e exclusivamente porque são brasileiros é balela pra acalentar bovinos. Isso é conversinha de artista famoso que dá entrevista para programas TV Fama style em algum evento social, onde enchem a boca pra dizer que “eu sou flamenguista, mas quarta eu sou tricolor desde criancinha!” somente pra não desagradar fã.
Isso é hipocrisia. Vamos analisar: do que vive o futebol? Da rivalidade. Torcedor que é torcedor, quando vê que seu time não tem mais chances de ganhar uma competição, vai torcer pro rival não ganhar. Se o Palmeiras não conseguiu ganhar o paulista, vai torcer pra que o São Paulo se foda de primeiro a quinto na semi-final. Melhor um time do interior do que um que tenha torcedores e possíveis gozadores na empresa que trabalha. O arquirrival ir pra segunda divisão é tão gostoso quanto a conquista de um título. É assim que funciona, rivalidade, gozação, piadinha etc. De resto, é hipocrisia.
E eu torci pra LDU ontem. O Fluminense não me incomodava até eles terem ganhado o título da Copa do Brasil no ano passado do meu Figueirense dentro da sua própria casa, o Orlando Scarpelli. Desde então, sempre que eu posso ver o Fluminense se dando mal, lá estou pra soltar alguns foguetes.
O que eu não suporto é torcedor frustrado ir pra estádio fazer confusão e arrumar briga. Do contrário, que eu seja o gozador de segunda-feira e não seja aquele cara de cabeça inchada que além de guentar o chefe tem que aguentar piadinha após uma derrota. Com todo o respeito aos meus leitores tricolores, eu queria mais é que vocês se fudessem ontem!
Não sou hipócrita. Desculpem.
Luciano do Vale provoca, Cajuru responde e o circo tá armado
Posted by Daniel Becher on jun.20, 2008, under Futebol (3) Comments
Eu assisti Sport x Corinthians, depois de muito tempo sem acompanhar uma partida de futebol na íntegra pela televisão. Não havia assistido a Corinthians e Sport, o jogo de ida, lá em São Paulo. O vídeo que eu vou mostrar abaixo, que aparece o Luciano do Vale criticando os jornalistas e a imprensa paulista de uma forma geral, eu só fui assistir, claro, após o jogo, pois acompanhei-o pela Globo e ele só foi postado no YouTube após a partida, claro.
Eu notei que nessa final da Copa do Brasil o Cléber Machado, da Rede Globo, havia narrado os gols do Sport do Recife de forma menos eufórica, com tom de pesar, como se fosse um gol da argentina aos 44 do segundo tempo, impedido e de mão em final da Copa do Mundo contra o Brasil no Maracanã. No segundo gol, mais especificamente, ele disfarçou dizendo que não viu a bola entrar mesmo frente a um estádio lotado de torcedores rubro-negros gritando gol. O mesmo ocorreu quando no fim do jogo o Sport foi declarado campeão.
Como falei, eu não vi o primeiro jogo, e provavelmente aconteceu o mesmo, visto esse vídeo gravado do Luciano do Vale antes da final da Copa do Brasil:
O Cajuru, que também não é flor de cheirar com pouca venta, deu a resposta ontem, em seu programa:
Uma espécie de circo, misturado com o que eu chamaria de meta-jornalismo com requintes de deboche com a cara de bolacha do nobre Luciano do Vale. Se for pra tomar partido, eu fico do lado do narrador da Band. Primeiro porque eu nunca fui com a cara do Cajuru, isso é um direito meu. Fala besteira demais. Não serve pra mim. Segundo porque o Luciano do Vale não perde a cabeça em toda transmissão, fez ali um singular desabafo que eu imagino até que o próprio Neto e Godoy tenham entendido não como ofensa, mas como uma forma de comparação sadia e construtiva.
Mas que é engraçado, sem dúvida, é.
Achei o vídeo do Cajuru através do Banda Pobre.























