Restaurante granfino com gelo e limão

Eu sou um cara simples. Vocês sabem disso, não arroto nada daquilo que não tenho ou não possa ter, não faço e aconteço no mercado e dificilmente reclamo da temperatura e do sexo das uvas siamesas de um vinho merlot. Vinho pra mim só Sangue de Boi e daqueles com garrafa de cerveja e tampinha metálica. Entretanto, a vida me ensinou a não pagar pra ser otário. Quase ninguém — ou ninguém — me tira pra trouxa. E quando tentam fazer isso o sangue ferve e o Daniel simpático, calmo e gentil se transforma num demônio que você certamente não gostaria de conhecer.

Pois ontem este demônio literário se apossou de mim, culpa do garçom, culpa de um restaurante, culpa de um péssimo serviço gastronômico. Era dia dos namorados, e eu odeio dia dos namorados. Mas gosto da Renata, gosto de cortejá-la e quis levá-la para comer jantar fora. Tentei o nosso restaurante de massas prepferido, lotado. Procurei uma alternativa e aí começou o banzé. 25 minutos na fila, tempo razoável, esperei. Sou daqueles que se é pra pegar fila, pego de graça no INSS, não preciso pagar por isso, mas ontem relevei, afinal, a Renata estava lá.

Famintos, entramos no restaurante e sentamos numa mesa normal, meio junta das outras, visto a quantidade de gente. Enfim, relevei, afinal, tinha a Renata e a barriga dava indícios de autofagia. Fomos nos servir no Buffet, achei lindo o salpicão e peguei um pouco. Quando sentei denovo e fui comer, era salada de frutas. Malditos óculos que estão me fazendo falta e malditos garçons que botaram a sobremesa no buffet quente. Enfim, relevei… Renata, fome, sede.

Pedi duas Cocas com gelo. O garçom me questiona:

    • Só gelo? Limão não?
    • Não, amigo, somente gelo.

Ele vira as costas meio que abruptamente e sai. Dez minutos depois ele me aparece com as duas Cocas e um copo. Vazio. Como que num talonaço de adaga ele se vira por cima de mim e saca da mesa vizinha um outro copo vazio, e coloca na nossa.

  • E o gelo?
  • Pois é, o gelo… Cara, essa Coca ta MUITO gelada. Precisa mesmo do gelo?
  • Aham…

Nessas horas se eu apenas olhasse pra Coca ela esquentava, o sangue tava fervendo mais e os olhos cheios dele. Enquanto não vinha o gelo, 30 minutos depois de sentados esperando o rango, aparece o primeiro ítem do rodízio de massas: panqueca de frango.

PORRA! Panqueca de frango eu como na minha casa, cacete! Eu não preciso pagar 70 reais pra comer panqueca de frango! Eu pensei, claro, eu segurei o grito. E o sangue quase em ebulição.

Volta o garçom, sósia do Fofão, e traz um copo cheio, ou melhor, ATÉ A BOCA de gelo, põe na minha frente, não serve a minha namorada e devolve meu copo vazio à mesa vizinha. Levantei, peguei na mão da minha namorada e fui pro caixa. Ela (a caixa) deve ter percebido que meus olhos a devoravam e que qualquer momento eles lançariam um raio fulminante, tanto que após explicar que eu não queria nada além de pagar minha conta e sumir daquela espelunca e preparado para cortar os 10% do garçom, ela me isentou de qualquer pagamento e pediu desculpas pelo transtorno.

Saí daquele ambiente com mesa e toalha chiques, de pratos chiques e gente bem vestida e fui para uma lanchonete, ou Xis, como chamamos, sem qualquer luxo ou requinte. Pedi dois Xis e uma Coca de dois litros. O gente-fina, que é surdo de um ouvido, não entendeu. Repeti, ele abriu um sorriso e disse:

  • Quer um gelinho?

Era só isso que eu queria, cacete. Sentar num lugar, fazer uma refeição com minha namorada e tomar uma Coca com gelo. Mas a linha tênue que separa um restaurante de classe média de uma espelunca havia sido extinguida por conta da velha incompetência brasileira de guerra, aquela incompetência-arte, moleque, de várzea, visto o boom que causa um dia dos namorados.

E parafraseio a Jess, que fez um texto que eu havia lido ontem a tarde, momentos antes de saber que naquele restaurante metido a granfino, eu teria o mesmo sentimento que ela:

E sigo insatisfeita, consumindo serviços fuleiros, reclamando deles e mantendo na minha conta bancária, caro vendedor, dinheiro que poderiam estar no seu bolso.

Acharam as rebeldezinhas de merda

Duas meninas dizem para a mamãe: “oi mamãe, tenho duzentos e cinquenta reais no bolso. Posso ir no cinema?”

Peraí. Pra quê uma menina recém debutante precisa andar com R$250,00? Tudo bem, cada qual no seu cavalo, diria o Drummond, e voltemos aos fatos: Elas somem, deixam em pânico não só os pais, como mobilizam a imprensa, polícia e quem mais puder se envolver. Há rumores de que elas teriam passado em Monte Verde, Minas Gerais. O pai de um amigo delas teria dado carona e as pivetes disseram que iriam para a Argentina. Horas depois elas são vistas no Rio Grande do Sul pedindo carona para caminhoneiros e um desses as deixou em Curitibanos quando tentaram dar entrada num hotel. Elas o faziam quando o dono do estabelecimento as reconhece pois acabara de ver a mãe de uma delas em prantos pedindo pra algum pobre diabo achá-las. Ele achou, ligou pra polícia e eles por sua vez levaram ambas para o conselho tutelar. Lá aguardam a vinda dos coitados dos pais para trazerem de volta a São Paulo.

E você deve estar perguntando: o que aconteceu com Giovanna Maresti e Ana Lívia Destefani? Foi crime, foi sequestro, tentaram aliciar as duas jovens para o tráfico internacional de mulheres-coitadinhas-iludidades-com-possibilidades-de-emprego-supimpa-que-só-olho-grande-acredita?

Não, elas estavam — palavras delas — “em busca de aventura”.

É fácil falar dos filhos dos outros, eu sei que é. Falar da vida alheia, apesar de ser minha especialidade neste blog e eu encarar de maneira séria, é fácil demais. Você fala o que acha e pronto. Mas sob pena de um dia possivelmente me arrepender de criticar o filho dos outros e ter um pior dentro de casa, eu arrisco: falta de surra.

O quê? estás sendo radical!

Claro que estou, porra! Duas pivetes de merda saem de casa onde tem tudo do bom e do melhor (e mesmo que não tivessem), largam seus orkuts, seus MSNs, seu gato persa de estimação, bons colégios, boas roupas, sapatos caros e tudo mais que um adolescente de classe média possa ter e sai em busca de aventura, deixando os pais em polvorosa, amedrontados? Abusam do dinheiro público sem necessidade, mobilizando policiais que poderiam estar salvando a vida de mais gente decente em São Paulo?

É falta de surra, sim! Daquelas que se dá não com o couro da cinta, mas com a fivela. Nos dentes.

Seu único defeito era ter valores

Dizem que eu sou um catarina metido a gaúcho. Não, equivoca-se quem diz isso. Eu SOU GAÚCHO, nascido em Santa Catarina. Equivoca-se também quem diz que pra ser gaúcho precisa nascer no Rio Grande do Sul, Quem nasce naqueles pagos é Sul Riograndense, muitos deles não necessariamente são, de fato, defensores dessa cultura e tradição linda e rica.

Ser gaúcho é muito mais que falar “bah”, “tchê”, “tri” e afins. Ser gaúcho é ter descendência de um ideal libertário, de um povo que ergueu sua pátria nos tentos e peleou por ela, brigou para marcar território e reinvindicar melhorias para seu povo. Ser gaúcho não é tomar chimarrão, qualquer um vai no supermercado e compra uma cuia e um quilo de erva mate. Ser gaúcho, de fato, é orgulhar-se de o movimento tradicionalista ser reconhecido pela ONU como uma das três maiores culturas do mundo. Ser gaúcho é ir além das fronteiras dos modismos e defender, por orgulho, o que foi deixado de geração em geração como legado.

Gotardo dos Santos era sul riograndense e era também gaúcho. Carpinteiro, pilchado até os dentes, com um parte de bota e estrelas cortadeiras, um sombrero requintado com direito a barbicacho, bombacha larga com feitio do melhor pano, na cintura uma carniceira, aquela companheira de degola, parecida com uma que eu postei anteontem e no pescoço trazia um lenço vermelho encanardo, da cor do sangue derramado pelos seus antepassados para defender a sua terra e garantir seu chão.

Taí o defeito dele. Seu Gotardo parou num posto pra esperar um amigo, e com trajes típicos gaúchos, foi motivo da chacota. E você sabe, leitor, o bom gaúcho enche os olhos de sangue pra defender o que é seu, nem que seja seu orgulho o maior bem — e de fato o é. Ele nem tinha sacado a possível carniceira embainhada na cintura, quando 8 rapazes, desses gurizotes otários daqui dos meus pagos, começaram a bater no vivente. Tudo isso pela pilcha. Otários, eu disse, que mal sabem de onde vieram, mal sabem da história do seu povo e, desconfio, não sabem nem quem é seu pai.

- Ele é gaúcho de honrar a tradição. Não usa outro tipo de roupa — disse a mulher, natural de Santa Rosa (RS), que vive com o marido e a filha há sete anos na Capital catarinense. (fonte)

A esses piazotes, o que dizer? Prendê-los? Adianta? Não, conscientizer, é claro! Aliás, já mostrei pra vocês a dona Consciência, né? Conscientiza que é uma beleza.

Tomara que eles peguem um delegado dos buenos. Talvez lá de Santiago ou de São Luiz Gonzaga, daqueles que fazem os mais valentes se enturmarem com a indumentária. Sairiam de lá também com trajes típicos. De prenda.

Yahoo! Respostas deveria ser extinto

Existem serviços à beça na Internet. Dos mais úteis aos nem tanto assim, mas cada um cumpre seu papel. Mesmo aqueles que parece que nunca vingarão, de uma hora pra outra estouram e uma empresa grande compra e vira febre. Eu tinha esse sentimento com o Orkut e com o Twitter, por exemplo, muito embora este segundo não tenha estourado — pelo menos ainda — como o Orkut aconteceu.

Entretanto, alguns poucos serviços você olha e percebe que um monte de cocô vale mais que eles próprios. É o que eu acho do Yahoo! Respostas. Respeito o Yahoo! enquanto empresa, fornece serviços de primeira qualidade e tudo mais. Mas é um atraso de vida o tal do Respostas. O pior de tudo é que indexa (e bem) no Google e quando você mais está apurado pra achar algum material, resultados e mais resultados com um monte de merda dessas respostas poluem a sua tela e atrasa a sua vida.

Hoje mesmo estava procurando uma loja virtual que vendesse peixes ornamentais. Então fiz a seguinte busca: “onde comprar bettas“. Simples assim. O terceiro resultado é do Yahoo! Respostas e, ainda que conhecesse a fama do tal serviço, resolvi dar uma olhada. Afinal, se você está no inferno, não custa dar um abraço no capeta. Evidentemente, alguém já tinha feito a mesma pergunta:

Yahoo! Respostas

A ameba questionante já começou mal. Não especificou direito o que ele queria saber, não disse que ele precisava do peixe ornamental Betta Halfmoon. Então na “melhor” resposta, e dê-lhe ênfase nestas aspas, o ameba-mór disse que sabia a resposta mas que era necessário o contato, para confirmar realmente se era de peixe ornamental que ele confabulava. Porra! se o cara SABE o que é um Betta HM, ele sabe que NADA MAIS existe chamado Betta HM. então diga logo a porra do telefone dos melhores criadores de Betta HM do Brasil, cacete!

Mas calma, o pior estava por vir:

Yahoo! Respostas

Estas outras duas resposta não foram de duas amebas, porque para eles serem considerados ameba, deveriam avançar muito no processo evolutivo. Mas assim trataremos por falta de algo pior. Enfim, como eu ia dizendo, outras duas amebas responderam. Uma dando uma resposta totalmente diferente da perguntava, dizendo onde talvez o cara porsa encontra (sic) algo referente aos peixes. Não preciso repetir, você sabe que o cara queria comprar, e não estudar a reprodução nem o habitat dos filhos das putas dos Bettas.

Já a quarta ameba preferiu dar uma de Sr. Saraiva (Francisco Milani) e responder que ele poderia encontrar peixes ornamentais numa loja de peixes ornamentais. Claro, óbvio, como não pensaram nisso antes?

De qualquer forma noto alguns fenômenos que atrapalham o serviço, na minha humilde opinião:

  • É gratuito. Tanto para pesquisar, quanto para responder. O cara responde lá como voluntário, pode escrever qualquer lixo e vai depender de algum outro voluntário filantropo denunciá-lo, também sem receber nenhum tostão pra isso.
  • É aberto. Por ser gratuito, qualquer um animal pode entrar lá. Acho que vou cadastrar meu próprio Betta Splendens quando eu descobrir onde diabos posso conseguí-lo, e enquanto eu estou no trabalho, ele responde às amebas ambulantes.
  • Não existe controle, aprovação ou qualquer vigilância. Depende única e exclusivamente de denúncias de gente que não tem comprometimento algum nisso, nem pode ser cobrada por qualquer ato. E se aparece em algum resultado do Google, como no meu caso, eu vou entrar, não vou achar o que preciso, vou simplesmente sair e pular para o próximo resultado, tal qual um paraquedista. Os paraquedistas não se sensibilizarão menos ainda voltarão seus olhos para o botão “denunciar” ou “votar” na melhor resposta.
  • É feito por amebas.

Fica o pedido: tirem essa merda de serviço do ar!

Walcyr Carrasco, Leila Lopes e o Filme Pornô

Walcyr Carrasco, autor de novelas já renomado da poderosa Rede Globo, falou ontem em seu blog sobre a Leila Lopes fazer filmes pornôs. Eu confesso que quando vi sobre isso no Terra fiquei com os dois pés atrás de ir no blog dele e ler o texto todo. Afinal, hospedado no Globolog, sendo ele uma personalidade, igualei mentalmente os seus textos aos de outros artistas que mais das vezes rabiscam algum garrancho falando amenidades mais fúteis que eles mesmos.

Mas fui até o Google e achei o blog do tal novelista. Qual foi minha surpresa ao encontrar um texto bem escrito, com alguns errinhos de digitação, mas que se tornaram irrelevantes com o conteúdo do que ele tinha pra dizer. Explicou, como poucos, um ponto de vista bem argumentado sobre o que achou do fato de Leila Lopes estrelar Pecados e Tentações, um filme pornô com ninguém menos que Carlos Bazuca.

E AI VEM COM CONVERSA DE QUE É UM TRABALHO ARTISTICO E QUE O ATOR FOI ESCOLHIDO PORQUE TEM O TIPO FISICO DE UM PADRE. (PARECE QUE O PERSONAGEM É SEMINARISTA) JURA, LEILA, JURA, MAS PUXA, QUE PADRE! MAASSSSSSS QUE PADRE! EU VEJO O JEITINHO RELIGIOSO QUE ELE TEM. ALIÁS, O NOME ARTÍSTICO DO MOÇO É CARLOS BAZUCA. EXCELENTE PARA UM PADRE. ACHO QUE VOU MANDAR PRO VATICANO. SUGERIR PRA CANONIZAÇÃO, SEI LÁ.

DIZER QUE É UM TRABALHO COMO OUTRO QUALQUER É O MAIOR DESRESPEITO AO TRABALHO DAS ATRIZES SÉRIAS QUE ESTÃO POR AI, RALANDO, E MUITAS VEZES SEM GRANA PRA PAGAR AS CONTAS NO FINAL DO MÊS. NÃO VOU CITAR NOMES, MAS GRANDES ESTRELAS JÁ VIVERAM SITUAÇÕES DE DESESPERO, E BOAS ATRIZES MUITAS VEZES PASSAM UM BOM TEMPO SEM CONTRATO. NEM POR ISSO VÃO PRO PORNÔ.

Eu copiei e colei do jeito que estava, quis manter a caixa alta empregada por ele nestes dois parágrafos especificamente. Boa Carrasco. É aí que eu entro — não na Leila, claro. Vamos lá…

Uma das qualidades que eu menos admiro nas pessoas é fazer cu doce. É procurar bengalas de desculpas para justificar atos ou compensar consequências morais que eles possam causar. Leila Lopes, ao meu ver, fez isso. Primeiro ela desmentiu que estava fazendo um filme pornô pra imprensa. Peraí, que segredo é esse? Se muita gente mais cedo ou mais tarde vai ver Pecados e Tentações e a própria Leila, em pêlo — se ela não raspar — , no aconchego do lar?

Depois sai a notícia de que ela chorou no set de filmagens, entre uma gravação e outra teve qualquer crise de nervosismo por estar ali fazendo sexo com um cara que ela provavelmente nunca tomou uma cerveja. Pelo menos eu creio que seja por algum motivo assim e não pelo tamanho da Bazuca.

Leila, querida. Se você quer fazer um pornô, minha filha, faça. Mas diga: “Eu vou fazer um pornô sim, vocês irão ver minha xoxota e pronto!”. Não fique dando desculpas. A emenda fica pior que o soneto, não esqueça. Porque além de ficar mal falada pelo filme, vai sair como mentirosa. E, aliás, a gente sabe que não foi pela arte, certo?