Cartão de débito é lenda urbana

Raramente alguém me liga pra oferecer cartão de crédito. Vejo muita gente reclamando que o telemarketing das bandeiras e dos bancos mais conhecidos são implacáveis quando querem te oferecer um novo cartão, mas eu nunca tive problema com isso. Nunca sequer me pararam na rua pra oferecer um deles. Não estou falando aqui de cartões com o da Renner ou os cartões do Ibis, que se proliferam como pobre em cidade grande. Falo dos cartões normais.

Mas mesmo assim, quando comecei meu relacionamento com o meu banco, procurei um. Queria ter um cartão de crédito pra uma emergência, lá nos primórdios da minha vida financeira, e o débito nem era tão repercutido assim. Com o passar do tempo acabei adquirindo um costume que eu acho prático hoje em dia, pagar tudo com dinheiro de plástico. À vista, mas com cartão de débito, não no crédito nem no dinheiro. Porém não é uma tarefa fácil. Pagar no débito sempre foi uma lenda urbana.

Não é tão simples como eles tentam te convencer

Não é tão simples como eles tentam te convencer

Primeiro porque o comerciante pequeno — não falo aqui dos grandes — se sente como se estivesse fazendo um favor pra você, quando você estende a tarjeta pra eles. Se você diz que o pagamento é no débito eles logo pensam na fatia que precisam deixar para a financeira em questão. Sim, compras a crédito e a débito têm um custo. Se você compra algo no valor de R$100,00, 5% desse bolo fica com a bandeira e não estou contando a taxa mensal que eles pagam pra ter a maquininha na loja.

Segundo porque ninguém respeita o cliente que paga com cartão. Não foi uma nem foram duas as vezes que eu fui num posto abastecer o carro e tive que pagar a gasolina mais cara que a “da promoção” porque não paguei em dinheiro. Um verdadeiro desrespeito com o consumidor. Isso quando não aceitam vender determinados produtos onde o lucro é pequeno, como no caso das bebidas, ou o preço é pequeno E tabelado, como no caso dos cigarros. Já tentou comprar cigarro em posto de combústivel no débito? é praticamente impossível. E aí não falamos apenas de desrespeito, falamos de um crime contra o consumidor, falamos de ilegalidade além da imoralidade já debatida no parágrafo.

Aos poucos, e não poderia deixar de ser, afinal estamos no Brasil, o código de defesa do consumidor vai sendo melhorado e algumas decisões importantes vêm sendo tomadas. Mesmo que a passos de tartaruga, as lojas já se adequam ao fato de que não podem mais rejeitar compra com cheque, à vista ou a prazo, levando em consideração a data de existência da conta corrente; era uma medida de segurança que as lojas tomavam para não receberem calote, ou minimizar a possibilidade de. E aí aparece outro impasse: olhando pelo lado do lojista, em épocas de crise o crédito é extremamente valioso e precisa ser racionado, como então confiar num cliente? Algumas lojas já até entraram com pedido liminar na justiça para poderem terem o direito de não mais vender com cheque e receio que o preço diferenciado para o débito vai continuar.

Eu continuo preferindo pagar tudo com o cartão de débito e sempre dou preferência para as lojas que dispõe da facilidade. Mesmo sob risco de a qualquer momento cometer uma Gumpice de fazer um pratão no Quilo da Maria e esquecer de perguntar se eles aceitam meu dinheiro virtual.

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7 Responses to “Cartão de débito é lenda urbana”

  1. robson disse:

    Nossa que azar; faço como você, pago tudo com dinheiro de plastico, mas nunca recebi cara feia. Padaria, posto, mercado e até barraca de feirinha aqui aceitam venda a débito de valores pequenos e não reclamam do fato.

  2. marcus disse:

    Sem contar que, quando tu paga com dinheiro e notas de valor igual ou maior R$50, sempre fazem aquela checagem na tua frente pra saber se teu dinheiro não é falso.

    Ou quando tu paga com cheque, tem gente que liga até pro bispo pra saber se tu tá no SPC ou Cerasa.

    Ou seja, comprar coisas no Brasil é sempre uma falta de respeito com o comprador.

  3. Daniel Becher disse:

    Marcus, o problema é que só nós, que nos consideramos honestos, é que ficamos constrangidos. O cara que é mala não tá nem aí, mais das vezes dá o golpe porque ele conhece a laia e sabe qual olho grande vai cair na dele. Isso quando não roubam da própria Igreja e ainda se benzem.

  4. w1zard disse:

    sem falar que pagando com um cartão de débito, não podem nos roubar alguns centavinhos ou dar o troco em balas. isso é uma coisa que fico puto e alguns mercados, grandes e pequenos, nem mesmo tem moedas de 1 centavo.

  5. Eu sempre recebo cara feia por qualquer valor pequeno no débito. Mas já vi vantagens: não furei a dieta tomando sorvete depois de um almoço, pq o sorvete era mais caro se eu pagasse no débito :p

  6. Sergio disse:

    aqui em sp é muito comum estabelecimentos só aceitarem pagamento no cartao no debito, e nao no credito. mas isto é sempre bem divulgado num cartaz no caixa. no debito ele recebe uns 5% menos (este % pode ser negociado com o banco) e o dinheiro cai no outro dia na conta dele. no credito leva até 30 dias. postos de combustivel trabalham sempre com margens apertadas, mas nao podem cobrar precos diferentes cfe a forma de pagto. em sao paulo ja tem uma cultura mto forte de usar cartao de credito/debito, mas em pracas que nao tem este habito creio que vai ser sempre uma decisao dificil pro comerciante tomar.

  7. Andre luis disse:

    Sou atendente de telemarketing para cartoes de credito. Gente, eu vejo na pratica, as pessoas não se controlam com o cartao e gastao demasiadamente. Depois entram em parcalamentos absurdos que só favorecam as administradoras do cartao que tem justamente nos clientes que pagam mal, seus melhores clientes.

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