Café da manhã no McDonalds: McCafé

Eu sou um traidor. Eu havia prometido nunca mais colocar meus pés tamanho 46 dentro de um drive-thru, drive-in, drive-qualquer-coisa do McDonalds. Porque passar fome é uma coisa, milhões de pessoas neste exato momento não têm o que comer. Mas PAGAR CARO pra passar fome é carregar um cartaz estendido pro alto com os dizeres “Chute-me, eu sou um otário”. Em nenhum outro lugar no mundo se paga tão caro pra continuar faminto.

Mas era 6 e meia da manhã de ontem, domingo de eleições, e eu havia deixado minha mãe na seção eleitoral onde trabalharia; além de fazer um pouco de tempo pra poder ir votar e então retornar pra casa com o dever cívico cumprido, precisava de um bom café da manhã. Já avisei também neste blogue que Florianópolis é um lugar de merda? Enquanto na civilização você encontra lugar pra comer 24h, na “Ilha da Magia” (bota aspa nisso) a única espelunca aberta às 7h da matina de um domingo era o tal do McDonalds. Correção: 7 e 20, demorou pra abrir.

Decidi experimentar o McCafé. Era a chance de, além de tirar a barriga da miséria, experimentar um café daqueles americanos, servidos em copos grandes e com alguma coisa diferente do típico brasileiro simplista água-e-pó. Então eu cometi uma das piores besteiras que um ser humano (ou cerumano, talvez) possa cometer: tomei café no McDonalds.

Paguei DEZ REAIS por um projeto, uma planta-baixa, de sanduíche de ovo e bacon e um capuccino travesti. Dez mangos por algo que era ruim, não encheu a barriga e ainda ajudou na minha criação de úlcera estomacal que eu estou a desenvolver com o passar dos anos de puro estresse com estabelecimentos horrendos.

O café é uma porcaria. De Capuccino não tem nada. De café menos ainda. Mal e mal podemos descrevê-lo como um café-com-leite de hospital público, uma água de barrela sem tamanho. Ralo, fraco e sem gosto. Só era quente, mas era só o que faltava mesmo estar frio. E por pouco não ficou, já que esperei quase vinte minutos pelo…

… McMuffin. Um misto de pão velho com ovo sem sal e bacon sem gosto. Sério, o bacon não tem gosto de nada, nem sal tinha. Extremamente recomendado para hipertensos não fosse a gordura do ovo, tão recriminada nos modestos “Xis”, e tão presente nas minhas mãos que ficaram fedendo a este quitute dos infernos até fazer uma refeição decente: uma coxinha na padaria das redondezas.