Aluga-se um amigo
Postado por Daniel Becher em jul.01, 2008, categoria Vida alheia
Quando o Diego Mendonça do blog Esculhambação postou sobre isso eu não acreditei. Não que eu seja um ingênuo romântico e que ache que a imbecilidade humana tem limites, pelo contrário. Analisar a vida alheia me faz um sujeito vacinado para as mais estranhas taras e vontades do ser humano. Mas não acreditei que alguém, no auge da velhice, precise contratar outro alguém para servir de companhia em chás, passeios e festas.
Velhos — não necessariamente tão velhos — ricos fazem isso, mas eles usam garotas de programa. Elas oferecem, na verdade, outra coisa. O termo “acompanhante” é fachada, mero eufemismo para prostituta de luxo, daquelas que você não encontra na esquina da Fúlvio Aducci as dez horas da noite e que tem um website recheado de fotos dignas de uma Sexy.
O Fato é que o Sr. Toni Sá oferece serviços de acompanhante. E ele já coloca, de cara, no rodapé do site: “Não fazemos saídas de cunho sexual”. Isso é pra filtrar as senhoras idosas taradas e necessitadas de uma penetração, um fighteco, uma vulgar fudeca penetrante. O amigo pessoal, ou como ele prefere, Personal Friend, acompanha as nobres vozinhas em cocktails, chás, eventos, festas, bailes, cinemas, teatros, etc.
Mas por quê contratar alguém pra isso? Por quê pagar 40 reais a hora (sendo que a disponibilidade mínima é para duas horas) pra transparecer que tem um amigo? Porque as pessoas estão esquecendo de coisas básicas da vida, inclusive das amizades. Com todo o apelo que a Internet tem de juntar pessoas, aproximar corações solitários, arrumar sapatos velhos para pés tortos, o que leva alguém usar os serviços de Toni?
Duas sugestões:
Ou é porque quer aparecer com alguém diferente, algo típico nos dias de hoje. Aparecer é o que há, não interessa se você tem amigos de verdade, você precisa ter no contador do seu Orkut 999 amigos e uma foto escrito “Perfil lotado”. Não importa se você tem grana pra pagar o condomínio, é necessário morar num apê chique. Que mané encher o tanque e pagar o IPVA em dia, o lance é se meter em 72 prestações de um carro zero quilômetro.
Ou então é porque é incompetente. Dizem que conhecer pessoas pela Internet é atestado de incompetência por não ter o mínimo de habilidade em fazê-lo na dita “vida real”. Eu discordo. As artimanhas são as mesmas, a aproximação é parecida e o ritual todo bastante comum das duas formas. Pagar pra ter um amigo, sim, é assinar uma declaração dizendo “eu sou chata pra cacete, fiquei velha, gorda e enrugada e não consigo fazer alguém ficar vinte minutos na minha presença sem sentir ânsia de vômito”. Eis a diferença.
Se vocês precisarem de um amigo, falem comigo, falem com as ilustres pessoas que visitam este blog, criem um perfil no Orkut, Gazzag, MySpace, entrem num chat do Terra ou UOL, mas pelo amor de Deus, se quiserem jogar dinheiro fora, dê os oitenta pilas pra mim. E prostituir amizades não, por favor!























julho 2nd, 2008 on 1:51 am
Por incrível que pareça esta e uma nova profissão, e tem muita gente, contratando serviços deste tipo. Pessoas com problemas de depressão ou ate pessoas que querem dividir assuntos com outros desconhecidos.