A prisão do casal Nardoni - O Circo
Ninguém definiu melhor até agora o que aconteceu ontem em Guarulhos que o meu amigo Fernando Silveira. Aquilo lá foi um circo. Há muitos e muitos anos ouvi de um professor primário a seguinte frase: “enquanto se tem o palhaço, se tem platéia.”
Os palhaços ontem foram Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá. A platéia, ensandecida, do lado de fora do condomínio em São Paulo, assistia a tudo e não arredava pé mesmo com o tardar da hora. A polícia chegou no edifício por volta das 18h30m e só saiu com os dois suspeitos de assassinar a própria filha algemados quase 23h. E mesmo assim, o público que assistia a tudo e lançava palavras de ordem pedindo justiça, só aumentava.
O que é que aquela gente queria lá? A justiça estava fazendo o seu papel, sob a execução do GOE e da Civil do Estado, enjaulando os referidos suspeitos. Essa é a resposta que a sociedade tem quando algum político faz merda, ou quando acontece de fato crimes hediondos como este foi? Ou será que eles queria aproveitar os holofotes da mídia em polvorosa por pegar a melhor imagem do casal que se tornou celebridade no chiqueirinho das viaturas?
Essas dúvidas ficavam martelando a minha pobre cabeça enquanto assistia tudo no conforto da minha casa, trabalhando, tentando ganhar o croissant de cada dia. Por quê não somos tão patriotas na hora de votar? De escolher quem vai nos representar no poder público e que podem fazer estragos muito mais estrondosos do que uma menina de 6 anos arremessada pela janela de um apartamento? É claro que eles precisam ser punidos, mas temos que ser coerentes na hora de cobrarmos algumas coisas.
Os nossos governantes comem nossos referidos cus diariamente e acabamos sendo condescendentes a ponto de ignorá-los. Cadê o povo que vai nas ruas? Cadê os caras-pintadas? Engana-se que quem lotou as proximidades da residência dos Nardoni ontem era gente pobre, gente humilde e fofoqueira. Ali tinha bastanta gente de classe média, daquelas que financiam um Pálio em 72 vezes pagando 800 pratas por mês e abastacem 50 pila no posto pra economizar. Tinha gente que arrota penne ao molho funghi mas come carne moída com arroz de ontem no almoço de domingo.
A única conclusão que eu cheguei é que aquela gente que lá estava, na sua maioria, é um bando de desocupados, um bando de vagabundos, de gente que quer aparecer, oportunista, querendo seus quinze minutos de fama. Os mesmos que a cada início de ano tiram do armário as suas câmeras digitais para confeccionar vídeos para o Big Brother. Coincidentemente, aposto vinte e oito jujubas que são as mesmas, inclusive, que aproveitam o domingo de eleições para passear com a família numa cidade vizinha e justificar seu voto.
Bando de otários, de vagabundos. Isso mesmo. E se por acaso você que vai usar os comentários abaixo para justificar a sua atitude grotesca, façam da seguinte forma:
Comecem escrevendo: “Olá, meu nome é XXX (troque pelo seu nome). Minha mãe estava na zona trabalhando e meu pai era o porteiro.” No restante da frase, justifiquem-se. Do contrário, o seu comentário será sumariamente deletado.
E se quiserem me processar por isso, o façam. Porém no dia do julgamento não levem a sua corja para frente do tribunal pra ficar me gritando palavras de ordem pedindo justiça. Eu tenho mais o que fazer. Desocupados.
- Publicado por Daniel Becher na categoria: Críticas
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5 comentários em “A prisão do casal Nardoni - O Circo”
#1
¬ marcus
maio 8th, 2008 as 10:30 am
Esta reportagem do Fantástico ilustra bem o que tu falou. Aliás, vai ainda mais longe. Se tu ainda não viu, assiste, pois vale a pena.
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#2
¬ Carla
maio 8th, 2008 as 11:37 am
A cultura de teledramaturgia do brasileiro impede o interesse do “rebanho” pela política.
O que se vê é uma novelinha da vida real, com a imprensa fornecendo os capítulos todos os dias - quem depôs, quem esganou, quem atirou, quem gritou e por aí vai. Fiquei muito chocada com o crime e me flagrei nos momentos iniciais buscando qualquer tipo de informação para tentar entender o ocorrido. Hoje me recuso a acompanhar e não sei em que pé anda esse caso (aliás soube pela internet hoje que eles tinham sido presos novamente).
Não vou dizer que amo discutir sobre o governo e suas trapalhadas, mas tenho um impulso de me manter informada e com uma postura crítica. Quem paga imposto sabe onde o bolso dói.
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#3
¬ Ricardo Rayol
maio 8th, 2008 as 5:11 pm
apoiado. e o pior, ninguem foi lá no tribunal que libertou, na cara dura, osujeito que mandou matar a freira.
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#4
¬ Carol
maio 9th, 2008 as 9:04 am
Você tem toda razão, enfim encontro algo na internet relatando o que também penso. Não vou dizer que não tenho acompanhado os noticiários referente a este caso, mas quando vi aquele espetáculo, logo comentei em casa, porque que estas pessoas não fazem esse auê com assuntos políticos, aquelas pessoas tentando invadir o prédio logo após as viaturas sairem, foi algo no mínimo digno de pena. Bando de ignorantes desocupados! Mas ridículo ainda, foi sem dúvida a apresentadora do nosso jornal noturno de cada dia faltando implorar para não mudarmos de canal porque a qualquer momento entrariam ao vivo com mais notícias e imagens.
Bom dia Becher.
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#5
¬ Lucho
maio 10th, 2008 as 12:00 am
Enfim, parece que acabou a novela.
E concordo integralmente contigo. Se esses palhaços, vagabundos e desocupados fossem para a frente de prefeituras, câmara de vereadores e outros lugares equivalentes, com o mesmo ímpeto e vontade com que foram para o prédio aonde morava o casal, para cobrar algo de seus representantes, estaríamos bem melhor.
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