Archive for abril, 2009

Posso pegar gripe suína comendo carne de porco?

quarta-feira, abril 29th, 2009

Não, a não ser que você fique chafurdando na lama em dia de frio sem agasalho apropriado. Mas essa tarefa é do porco, que anda de cabeça baixa porque a mãe é uma porca (piadinha infame).

Quem tá com o rabo na mão é a indústria suína. Principalmente porque o Brasil é o quarto maior exportador de carne de porco do mundo. Nós, brasileiros, temos a incrível capacidade de alarmar o que não precisa. Já pude notar ontem, no supermercado, cliente fazendo bico na seção de suínos, deixando de lado aquela costelinha ou uma linguicinha no preparo do churrasco.

"Não vai te gripá, porco véio..."

"Não vai te gripá, porco véio..."

Hoje, enquanto sorvia o primeiro gole de um chimarrão pacholento, acompanhei no noticiário local os produtores de suínos praticamente desesperados não só com a confusão que é feita por causa da tal gripe, mas também com a falta de explicação pras coisas. Porque é muito fácil jogar a notícia de que o tal vírus Influenza mundo afora, e não explicar como se proteger, o que fazer, como pega, como não pega… A AIDS foi assim, no início, se tivessem esses cartazes que existem hoje em qualquer hospital público, explicando que aperto de mão não transmite HIV, talvez os aidéticos não sofressem tanto preconceito.

Chegando onde quero: gripe suína não pega comendo porco. Nem daqui, nem do México, nem da Alemanha e sequer se o pobre Presuntinho estiver resfriado. Alguns motivos que confirmam esta afirmação:

  1. Se o Brasil é o quarto exportador de carne suína do mundo, nós não precisamos comprar esse material de fora, ou seja, o máximo que o México nos traz é uma boa tequila;
  2. O vírus Influenza, seja ele suíno, bovino, equino, caprino, junino, severino… NÃO resiste a temperaturas superiores a 70 graus celsius. O mesmo cuidado que você já tem com a carne do porco bem agasalhado, que é cozinhar bem, continua. Não muda nada;
  3. Gripe se pega por vias aéreas. Falando o bom português, se aquela costela suína não espirrar na sua casa, nada te acontecerá. E você não precisa nem usar aquela máscara idiota que tão usando por aí.

Tá, você não se convenceu, você precisa de algo mais chocante. Ok, vamos lá: não existe gripe suína e eu não tenho nada a ver com a Reversal Russa. Você entendeu bem sim, eu disse que não existe fucking gripe suína nenhuma. O que existe é uma variante do vírus Influenza que ainda não foi totalmente identificado, que talvez tenha se manifestado em algum lugar do México através de um porco, que provavelmente serviu de laboratório pra essa mutação que sequer saber como funciona.

Agora, convenhamos… é até bom ficar pelo menos uma semana sem ouvir em Bovespa, dólar alto, crise financeira, desemprego, fap fap fap…

O dia da Sogra

terça-feira, abril 28th, 2009

Sequestraram minha sogra… bem feito pro sequestrador!

Claro que estou apenas citando o grandecíssimo Bezerra da Silva, sambista conhecido, imortalizado pelo “vou apertar mas não vou acender agora” e tantos outros sucessos. Como o assunto é sogra eu até deveria citar outro cantor, o Dicró, que é conhecido pela sua frustração com a mãe da mulher ou algo assim, já que a cada cinco músicas que compunha, doze eram enaltecendo o seu contragosto pela “parenta”. Mas como eu dei uma olhada nas letras dele e tudo não passa de um monte de repetição besta e baixarias idiotas, fico com o Bezerra. Além do que simpatizo mais com a estampa do velhinho de boina.

Mas não é sobre música de sogra que eu quero falar, quero falar é da dita cuja. Hoje é o dia dela. Não que eu dê muita importância pra essas datas que criam e que já atolaram o nosso calendário, e que serve mais pra preencher currículo de deputado que não consegue emplacar uma lei de grande valia, pelo contrário, só dá despesa aos cofres públicos (e não é pequena). Mas a minha sogra merece. Não merece?

Merece, claro. Pelo “simples” fato de que ela colocou no mundo a pessoa com quem vivemos. Ela é a mãe da pessoa que amamos, e mãe é sagrado. Nem que seja só pra sua namorada (ou namorado), mas é sagrado.

E aqui chego num ponto muito importante; dizem por aí que se você quiser saber como vai ficar sua namorada quando mais velha, olhe pra sua sogra. A fruta não cai longe do pé. Eu já disse isso aqui, só não lembro quando nem onde, e é a mais pura verdade. Raras são as exceções em que a filha (ou o filho) cresce diferente dos pais. Seja no caráter, no modo de agir, no modo de encarar o mundo e até no aspecto físico. Vamos falar português, sem enrolação? Sua namorada pode ser a maior gatinha da rua, mas dê uma olhada na estampa da sogra pra ver se ela vai virar um bucho depois de velha.

Fica o conselho: se você quer saber se vai aturar por muito tempo uma pessoa ao seu lado, faça logo uma visita à família dela. Se for do sexo feminino, então, converse meia hora com a sogra véia e tire um raio-x do que você vai passar no futuro. Simples assim.

Em tempo, feliz dia da sogra pra dona Beth, a minha. Parabéns por ter colocado uma pessoa excelente no mundo, por ser uma blogueira de mão cheia (ela escreve no Não Nasci Ontem e no Semidosa, conheçam!), por ser uma excelente sogra, por fazer uma costela com linguiça MUITO gostosa e por ter me dado um excelente parceiro de pescarias.

Nada é ilimitado – nem a Internet

domingo, abril 26th, 2009

Um problema corriqueiro que eu passo ao oferecer planos de hospedagem de sites e blogs para os meus possíveis clientes, na Via Hospedagem, é concorrer com provedores que oferecem planos “ilimitados”. Eu não vou entrar no mérito se é ou não válido, muito embora não considere falta de ética nem nada falar disso, cada um faz o seu marketing e enrola trouxa da maneira que mais lhe convém. Mas é que o assunto é bem mais abrangente.

Quando vamos a uma churrascaria ou pizzaria que funciona no sistema de rodízio, onde você pode se empanturrar de tanta comida pagando um preço único, temos alguns fenômenos que podemos observar. Um deles é o aumento do preço. Sim, se a churrascaria deixa você escolher entre buffet ou rodízio, onde a carne rola solta na sua mesa, com certeza pagará mais caro, geralmente o dobro, pelo espeto corrido. O segundo é que eles trabalham na lei da compensação. Ou pelo menos o esquema começou assim. Sim, porque um jovem raramente procura uma churrascaria pra almoçar no domingo sozinho. Geralmente o cara já é casado ou no mínimo tem namorada ou noiva, e se ela não fugir a regra, come bem menos da média. Se fizermos uma média ponderada, ou seja, se somarmos o que ele e ela comeram e dividirmos por dois, daria o equivalente ao que ele apenas comeria no buffet.

Desta forma, os dois pagaram o mesmo preço, porém um comeu mais e o outro menos; assim apenas “um” comeu. Basta entender como o governo faz estatísticas pra dizer quanta gente tá morrendo de fome ou tá desempregada, é simples: eu como dois frangos e você não come nada há uma semana, isso quer dizer que nós dois estamos felizes arrotando coxas e sobrecoxas. Capice? Capisco.

O terceiro fenômeno, o mais comum e o que leva o “negócio” ao fundo do poço mais rápido, é cair a qualidade. Digamos que agora no seu restaurante só vai quem descobriu a sua “manha” de compensar a comida, então ele só vai quando tá com muita fome e deixa a mulher em casa pra não dar despesa. O proprietário volta a ter preju. Então de duas uma: ou ele acaba com o rodízio ou, então, céus… ele detona a qualidade. Começa a comprar carne de pior qualidade e passar mais aquele tempero branco que faz a carne ficar macia (e com o mesmo gosto das outras, sem ser possível diferenciá-las). Serve menos carnes nobres e passa mais vezes as carnes mais baratas. As técnicas são imensas. Não é raro chegar num estabelecimento desses e achar uma picanha de 2kg (ou o boi era superdesenvolvido ou tem boi na linha, desculpe o trocadilho).

É isso que faz a turma do Skarvuska, ou, como disse no início, provedores gringo-estrangeiros fazem. Eles te dizem que te oferecem tudo ilimitado, liberam geral na hora da assinatura do contrato, e depois te podam pelas beiradas. Pra eles, dá no mesmo, eles ofereceram a mesma coisa só que dando ênfase no ilimitado. O seu olho brilha ao ler a palavra ilimitado, da mesma forma que as suas lombrigas se alvorotam na possibilidade de comer muito churrasco com menos cascalho (não é a propaganda da Skol), e esquece dos pormenores. Esquece, por exemplo, que você pode baixar tudo mas não pode baixar nada. Mas como assim? Veja:

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Tecnicamente, não há nada errado. Se você clicou na imagem e a viu maior, pode ver que eles oferecem o Net Virtua 12mbps a 299,90. Em tese, você tem um puta link e pode atolar seu HD de besteiras fazendo download a vontade, baixando tudo o que quiser, né não? Não. Você só tem um puta link (e olhe lá, não entremos no quesito qualidade por agora) e ponto. Tem um porém ali. Tem uma coluna chamada “franquia” e você só pode baixar 90gb por mês. Então a tese de que a Internet deles é ilimitada cai por terra.

Pois se fosse ilimitado, sua franquia OU não existiria, ou seria de aproximadamente 2500GB mensais (ou 2,5terabyte). Os 90 giga você teria diariamente. É simples, basta calcular a quantidade de segundos que existem por mês e multiplicar pela velocidade de download (que é mensurada em segundos, por isso esse cálculo). Seria mais ou menos a possibilidade de baixar intermitentemente arquivos.

Nada é ilimitado, nem mesmo o seu provedor de hospedagem, nem a churrascaria da esquina. Eles compram carne no mesmo local daquela churrascaria chique e que vende o mesmo corte de picanha pelo preço do seu olho direito, não há mágica, não há feitiçaria. Há jogada de marketing, há engana-trouxa, ou um eufemismo menos agressivo: estratégia de mercado. Simples assim.

PS: a tabela de preços acima, ao que tudo indica é do ano passado. Foi encontrada aqui.

Navegando a 10mb – mais uma de amor à GVT

domingo, abril 26th, 2009

EU NÃO RECOMENDO A GVT!

Por que não comer carne na sexta-feira santa?

sexta-feira, abril 10th, 2009

Eu não como. Mas é por uma simples questão de comodidade e harmonia na família. Primeiro porque eu não sou sair em plena sexta-feira e procurar um restaurante lotado pra comer uma costela gorda e bem assada. Eu odeio filas, eu odeio sair pra comer em feriados e meu histórico nesse aspecto não é dos melhores. E segundo porque se tem um baita de um estrogonofe de camarão feito com tanto carinho pela minha mãe, não serei idiota a ponto de desapontá-la só por afrontá-la com minha idéia diferente da tradição católica impetrada na família.

Flagra do Coelhinho da Páscoa comendo carne na sexta-feira santa

Flagra do Coelhinho da Páscoa comendo carne na sexta-feira santa.

Flagra do Coelhinho da Páscoa comendo carne na sexta-feira santa.

Mas é tão contraditório esse lance de não comer carne numa sexta-feira que eu sempre fico pensando… ontem mesmo, estava num botequinho que fica ao lado da empresa que trabalhava e engordava o patrão e que frequentemente jogo meu dominó, quando chegou um cliente com uma sacola a tira-colo, semi-transparente, evidenciando o embrulho de jornal (algum fruto do mar, tipicamente embrulhado com os “classificados de ontem”, envólucro comum do maior vendedor destes produtos, o Mercado Público Municipal). Chegou, largou um “buenas” geral, pediu um trago e comentou:

“Porra, mas que bosta de mercado público… gente pra caralho! Ainda me cobraram os olhos da cara pelo camarão, bando de ladrões!”

Que diabos um cara desse vai fazer deixando de comer carne-de-animal-que-sofre-pra-morrer na sexta-feira santa?

Que penitência é essa?

E tantos e tantos pais que acordam e mal olham na cara dos seus filhos, ou de suas esposas, ou então membros fidelíssimos à ‘madre igreja’ que usam esse dia pra nada mais que uma estampa de bom(a) moço(a)?

É por isso que eu sempre digo: o que importa é da boca pra fora, não da boca pra dentro. E estamos conversados.

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